
Roberto Miguel Rey Junior, que deixou o Brasil aos 11 anos de idade para morar nos Estados Unidos, onde ficou rico e famoso como o médico Dr. Rey, protagonista de um reality show na TV sobre cirurgias plásticas, terá de provar à Justiça Eleitoral de São Paulo que sabe ler e escrever em português. Se não conseguir, o Dr. Hollywood corre o risco de ter negada sua candidatura a deputado federal pelo Partido Social Cristão de São Paulo (PSC-SP).
O caso de Dr. Rey é semelhante ao que ocorreu com Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, em 2010, quando o humorista estava se candidatando a deputado federal pelo PR-SP. Naquela ocasião, ele foi acusado de fraudar o documento de registro de candidatura ao declarar que sabia ler e escrever .
No dia 20 deste mês, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) encaminhou manifestação ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE) cobrando documento de alfabetização em português de Dr.Rey. Além disso, o órgão também exigiu documento de identidade e apontou incompatibilidade na declaração de renda apresentada pelo cirurgião de 52 anos.
Segundo pedido de diligência feito procurador Regional Eleitoral André de Carvalho Ramos, Dr. Rey “não apresentou documento hábil para provar que é alfabetizado em português, sendo que a cópia do diploma estrangeiro (…) é insuficiente para tal constatação”.
Dr. Rey apresentou diplomas dos cursos de cirurgia plástica e de ciências políticas feitos em Harvard, nos Estados Unidos.
Identidade
Ainda de acordo com o procurador, o registro de candidatura de Dr. Rey “não veio instruído com documento de identidade, impossibilitando a conferência das assinaturas e a checagem dos dados informados”.
Bens
O procurador também notou que foi apresentada “declaração de bens (…) eventualmente incompatível com o patrimônio do pretenso candidato” Dr. Rey.
No site do TRE, Dr. Rey declarou que tem R$ 16,9 milhões em bens declarados, e que irá gastar R$ 3,5 milhões na sua campanha política.
Pela lei, Dr. Rey teve sete dias – o prazo terminou no domingo (27) – para apresentar sua defesa na diligência candidatura movida pelo PRE.
O TRE confirmou por meio de sua assessoria de imprensa que Dr. Rey apresentou no domingo documentos, inclusive declaração de próprio punho em português, que foram juntados ao pedido de diligência da PRE. Os documentos voltarão a ser analisados pelo procurador, que poderá aceitar ou não os esclarecimentos. Se não aceitar, irá pedir a impugnação do registro da candidatura à corte eleitoral.
As impugnações, que são questionamentos à validade do registro do candidato, não significam indeferimento do registro. Elas são analisadas no instante do julgamento da candidatura e podem levar ao indeferimento do registro, se acolhidas, ou ao deferimento, se rejeitadas pela corte eleitoral.

Dr. Rey critica procurador
Procurado pela equipe de reportagem, Dr. Rey criticou a decisão da Procuradoria. “Eu estudei mais do que o Lula e o Tiririca no Brasil. O Lufa foi até a 5ª série, o Tiririca nem estudou direito e eu fui até a 6ª série”, disse o médico, que alegou não ter a comprovação de escolaridade em português porque deixou São Paulo ainda criança. “Não encontrei mais o documento”, disse.
De acordo com o advogado de Dr. Rey, Alberto Jose Marchi Macedo, seu cliente prestou esclarecimentos ao TRE que comprovam que ele sabe ler e escrever em português. “Ele pediu para uma atendente dar um tema para ele escrever e ele escreveu”, disse o defensor.
“Apesar de não ter mais o registro que estudou até 6º série, o texto que fez de próprio punho foi juntado como prova no processo, para mostrar que sabe português”, afirmou o defensor.
Sobre a identidade que faltou no seu documento, Dr. Rey explicou que o RG que possui é antigo, com a foto de quando era criança e assinava o nome completo Roberto Miguel Rey Junior. “Foi aí que teve a dúvida: é que agora eu assino Dr. Rey, e fiz isso na frente de uma funcionária do TRE para provar que a criança da foto e eu são a mesma pessoa”.
A respeito da incompatibilidade de seus bens, o médico respondeu que tudo será esclarecido nos documentos que apresentou. “Eu não preciso roubar do Brasil, já sou muito rico. Já sou milionário, não tem porque roubar o Brasil”, disse ele, que tem como principal bandeira política trabalhar para a melhoria da saúde. “Eu voltei ao Brasil porque amo essa nação, amo minha gente e quero ajudá-la.”