
Foi notada uma série de oxidação nos trens chineses que chegaram ao Rio, comprados por 5,5 milhões de dólares cada, equivalentes a R$ 11 milhões. O Ministério Público (MP) vai exigir da SuperVia, da Secretaria Estadual de Transportes e da Agência de Serviços Públicos de Transportes do Rio (Agetransp) laudo técnico sobre a ferrugem e o documento terá que ser assinado por um especialista, garantindo que não haverá problemas futuramente nas composições. O prazo é de 15 dias. Técnicos usaram roupa e máscara especiais para se proteger da química aplicada na remoção da ferrugem.
O promotor Carlos Andresano, da Promotoria de Defesa do Consumidor do MP explicou que: “Esses órgãos terão que garantir que não haverá nenhum risco ou transtorno para a população. Se um trem vier a ficar parado ou quebrar porque houve problema ligado à ferrugem, então eu terei um técnico responsável para cobrar explicações e tomar providências”
Para o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, a ferrugem nos trens “é uma bobagem” e afirmou que:“Aquilo não tem nenhuma influência no funcionamento do trem, foi uma oxidação fruto de 40 dias no mar e que foi removida ao toque da mão, de forma muito simples”.
Segundo especialistas, o material seria de qualidade inferior. O engate e portas estavam corroídos ao chegar. A Companhia Estadual de Engenharia e Transportes e Logística (Central) admitiu o problema de ferrugem nos trens chineses e afirmou que solicitou que as composições dos lotes seguintes fossem envelopadas para o translado de navio até o Brasil.
O consórcio fabricante dos trens — formado pelas empresas CMC-CNR-CRC — havia dito que a primeira composição veio envelopada. E que a ferrugem foi causada por água do mar que pingou nos vagões na viagem da China para cá. Especialistas em química e engenharia afirmaram que não será difícil as composições enferrujarem novamente, já que o material sequer suportou a salinidade da viagem até o Rio. Se o material fosse adequado, não teria oxidado tão facilmente, apontam. Segundo engenheiros da Coppe/UFRJ, há no mercado acabamentos que impediriam a oxidação por até 20 anos.