
O senador José Sarney disse a aliados que não vai disputar a reeleição ao mandato, após 24 anos como parlamentar pelo Estado do Amapá. “O senador Sarney me disse que comunicou à presidente Dilma, durante o viagem de Brasília a Macapá, que não será candidato à reeleição. Isso foi hoje à tarde. Segundo ele (Sarney) pesou muito o fato de dona Marli estar um pouco adoentada”, afirmou ao Estado o ex-senador e presidente estadual do PMDB-AP, Gilvan Barbosa.
Uma nota distribuída na tarde desta segunda-feira, 23, pelo jornalista Cleber Barbosa, que presta serviços para Sarney no Amapá, informa que Sarney decidiu que está na hora de “parar um pouco com esse ritmo de vida pública” que consumiu quase 60 anos de sua vida e afastou-o muito do “convívio familiar.”
Nesta segunda em Macapá, Sarney viveu momentos constrangedores diante da presidente Dilma Rousseff quando foi vaiado cinco vezes por milhares de pessoas na inauguração do Conjunto Habitacional Macapaba (obra do programa Minha Casa Minha Vida).
Candidato à vice na chapa de Tancredo Neves, que venceu as eleições indiretas em 1985, Sarney foi o primeiro civil a assumir a Presidência da República após 21 anos de regime militar. Com a morte de Tancredo Neves antes de tomar posse, o vice assumiu a cadeira de presidente e governou o País por cinco anos.
Em 1990 foi eleito senador pelo Amapá e reeleito em 1998 e 2006. Durante este período ele continuou morando no Maranhão e apenas visitando raras vezes por ano o Estado que lhe deu 24 anos de mandato.
Leia abaixo a íntegra da nota:
“Nota à Imprensa
O senador José Sarney (PMDB-AP) manifestou-se, agora há pouco, a respeito do episódio ocorrido nesta segunda-feira (23) em Macapá, por ocasião do evento do programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, em que foi hostilizado por militantes partidários de declarada oposição a ele.
Era esperado que isso pudesse ocorrer, diz, primeiro pelo acirramento do pleito eleitoral que se avizinha, segundo, pela própria mobilização feita com esse propósito, fato este do conhecimento de todos. Sarney diz ter sido convidado pessoalmente pela amiga e aliada Dilma Rousseff, presidente do Brasil e entusiasta do programa de habitação popular iniciado ainda na gestão de Luís Inácio Lula da Silva, outro companheiro de sua estima. Sarney foi, mais uma vez, diplomático, seguiu o protocolo que o evento exigia, para prestigiar a amiga Dilma e os amapaenses beneficiados pelo programa.
Diz também ter recebido no evento – como ocorre por onde quer que vá no país e fora dele – o carinho e a consideração de brasileiros que reconhecem a importância de seu papel na condução do país à redemocratização. “Lá mesmo, na festa da presidente Dilma, muitas pessoas aplaudiram, espontaneamente, a minha presença e a ajuda que tenho dado ao Brasil e ao Estado”, acrescenta o ex-presidente.
O senador, de 84 anos, também confirmou aquilo que seus amigos mais próximos e os aliados em Macapá foram comunicados na semana passada, de que não vai disputar a reeleição para o Senado em outubro próximo. “Essa decisão já estava tomada, comuniquei isso ao meu partido na semana passada. Entendo que é chegada a hora de parar um pouco com esse ritmo de vida pública que consumiu quase 60 anos de minha vida e afastou-me muito do convívio familiar”, declarou.
Sarney tem acompanhado de perto as idas e vindas da esposa, Dona Marly, aos hospitais em repedidas cirurgias e lentos processos de recuperação, em casa, como ocorre atualmente.
Ele confirma presença na Convenção do PMDB na próxima sexta-feira, dia 27. E diz também que irá participar das eleições deste ano, não como candidato, mas ajudando de todas as formas, ao inúmeros amigos e aliados que estarão na disputa. Também será a ocasião para se dirigir aos correligionários e simpatizantes, bem como aos cidadãos e cidadãs de bem do Amapá, a quem nutre “profunda gratidão”.
Macapá-AP, 23 de junho de 2014.
Cleber Barbosa
Jornalista/Colaborador do Gabinete do Senador José Sarney”