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Governador do Rio promete assistência a família da mulher arrastada em viatura da PMERJ

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Autoridades do governo do Estado do Rio prometeram nesta quarta-feira (19/03), durante encontro que teve a presença do governador Sérgio Cabral, assistência para a família de Cláudia Silva Ferreira. Ela morreu vítima de bala perdida e depois foi arrastada num carro policial no último domingo (16).

O encontro, que aconteceu no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio, durou cerca de uma hora. Participaram da reunião com amigos e parentes de Cláudia o secretário estadual de Assistência Social, Pedro Fernandes, o chefe de gabinete da Casa Civil Leonardo Espíndola e João Trancredo, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem de Advogados do Brasil (OAB-RJ).  Fernandes disse que o governador garantiu que a família vai ser indenizada, mas que os valores serão definidos pela Justiça.

“A família ja está recebendo apoio psicológico e também nos colocamos à disposição de parentes ou testemunhas que se sintam ameaçados e que queiram entrar no programa de proteção à testemunha. Tambėm vamos agilizar o processo de adoção das quatro crianças que a Claudia ajudava a criar”, disse Fernandes.

Parentes e amigos reforçam pedidos de punição

Alexandre Fernandes da Silva, marido da auxiliar de serviços gerais disse que espera a punição dos policiais. “Ela não volta mais. O que sempre pedi desde o início é que eles (os três PMS envolvidos) paguem por isso. Eles têm de ser punidos”, disse o marido, muito emocionado.

O amigo da familia, Diego Gomes, disse que pediu ao governador empenho na apuração do caso e punição exemplar para os policiais. “A forma como a policia entra nas favelas nao é correta. Eles partem do princípio que  na favela só mora bandido. As pessoas de bem não podem pagar pelo mal que existe nas favelas.”, disse Gomes.

Do Palácio Guanabara, o grupo de parentes de Cláudia, que inclui Alexandre e filhos, seguiu para a Chefia de Polícia Civil, onde será recebida pelo delegado Fernando Veloso, chefe da corproação.

Cláudia foi arrastada por 350 metros após cair do porta-malas de um carro da PM enquanto era levada para o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes.

Na terça (18), Cabral disse esperar a expulsão dos policiais envolvidos no resgate de Cláudia.

“O mínimo que se espera dos três policiais presos é que sejam expulsos da corporação”, disse o governador, durante cerimônia de início de operação de um novo trem da SuperVia. Ele afirmou, entretanto, que deve ser observado o direito de defesa dos policiais.

O governador classificou como “abominável” toda a operação de resgate da auxiliar de serviços gerais, desde o salvamento até o momento em que ela foi arrastada. Cabral afirmou que outros policiais militares também repudiam a atitude dos agentes presos e disse não acreditar que o fato leve à perda de confiança da população na PM.

Novos depoimentos

Os três policiais militares que socorreram a Cláudia Silva Ferreira, no Morro da Congonha,  devem prestar novo depoimento nesta quarta-feira (19) na 29ª DP (Madureira). Eles também são investigados pela Corregedoria da PM.

O Tribunal de Justiça Militar negou nesta terça-feira (18) o pedido de liberdade aos três policiais militares. Os subtenentes Adir Serrano Machado e Rodney Miguel Archanjo e o sargento Alex Sandro da Silva Alves estão detidos em Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste. O primeiro depoimento dos PMs foi realizado no domingo (16).

Dúvidas

A morte da moradora baleada e arrastada por um carro da PM ainda não foi totalmente esclarecida. O comando do 9º BPM (Rocha Miranda) afirmou que os policiais realizavam uma operação na favela. Mas não há explicação sobre os motivos que levaram os PMs à comunidade no domingo de madrugada, nem a confirmação de quantos homens participaram da ação.