Foi lançada nesta segunda-feira (17/03), no Museu de Arte do Rio, a Rede Brasileira de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (RSDS Brasil). Articulada por organizações da sociedade civil, academia, governo e setor privado, a RSDS Brasil espera apontar caminhos e soluções sustentáveis para problemas enfrentados pelas cidades. Representando a Prefeitura do Rio, o Instituto Pereira Passos (IPP) será responsável pela secretaria executiva da rede.
— Somos adeptos dessa nova ordem mundial em que o econômico, o social e o ambiental são igualmente importantes e acho que temos que desenvolver um arcabouço institucional adequado para mensurar isso. Precisamos de uma articulação grande da sociedade, nas diversas esferas, para conseguir um mundo mais sustentável e mais justo. Para avançarmos na agenda da sustentabilidade precisamos de parcerias público-privada participativas. Começamos com a PPP3, que é a parceria público-privada envolvendo o Terceiro Setor e já estamos na PP5, que é a público, privada, o Terceiro Setor, a academia e o povo — explicou a presidente do IPP, Eduarda La Rocque.
Embora a RSDS Mundial englobe dez diferentes temas, a Rede Brasileira enfoca inicialmente os desafios e as oportunidades enfrentados pelas cidades. Escolhida para fazer parte do projeto Iniciativa de Cidades Sustentáveis, o Rio de Janeiro, com seus dilemas e experiências em urbanização sustentável, será a primeira cidade na qual a Rede irá atuar no Brasil. Cidades como Acra (Gana), Bangalore (Índia), Nova York (EUA) e Durban (África do Sul) também fazem parte do projeto.
O Rio de Janeiro foi indicado pois, apesar dos grandes desafios, a cidade tem se mostrado aberta a processos de transformações que buscam a sustentabilidade. A Rede Brasileira pretende aprofundar o debate sobre o tema, estreitar o diálogo com o setor governamental responsável pelas políticas públicas e desenvolver soluções em maior escala para consolidar uma cidade sustentável, inclusiva e resiliente.
O diretor do Earth Institute da Columbia University e da Sustainable Development Solutions Network (RSDS Mundial), Jeffrey Sachs, disse que a geração atual tem a chance de garantir o desenvolvimento sustentável das cidades:
— Nós não podemos continuar fazendo as coisas como no passado. Somos a última chance para salvar o ambiente global. O nosso grande desafio é educar bilhões de jovens para serem produtivos. Precisamos investir na nossa economia e nas crianças, que são o futuro.
O Rio já deu importantes passos para ser uma cidade sustentável, com programas como Rio: Capital da Bicicleta, implantação dos BRTs, Selo Qualiverde (concedido às empresas que incluem ações ecologicamente corretas), Desenvolvimento de Baixo Carbono, além de ser a primeira cidade do país a fixar metas concretas e ousadas para a redução das emissões de gases do efeito estufa – como a redução de 20% das emissões de carbono até 2020.
O presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio, Sérgio Besserman, destacou a importância da criação da RSDS, tendo o Rio como um dos polos, já que o outro será inaugurado nesta terça-feira (18/03), na Amazônia:
— Essa é uma rede em busca de soluções, importante porque gera esperança e foco. O que fizermos hoje decide muito como será nosso futuro. A cidade do Rio expressa o desenvolvimento sustentável porque temos três grandes florestas, duas baías, um litoral oceânico espetacular e está no meio de uma região metropolitana. Isso tem um valor inatingível. O Rio expressa o desafio que a humanidade tem que é o desafio sustentável.
A RSDS Brasil é formada ainda pelo Instituto de Economia e a COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); o Programa de Graduação em Práticas de Desenvolvimento Sustentável (MDP Brasil) e o Centro Internacional de Estudos para o Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); o Programa Multidisciplinar Ambiental da Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio); a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS); a Fundação Roberto Marinho; o Centro Rio +; o Conselho Empresarial Brasileiro para Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Pacto Global do Brasil; o Observatório de Favelas e a Conservação Internacional (CI); e a UN Habitat.
RSDS Mundial
Lançada a pedido do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, em agosto de 2012, a RSDS Mundial tem como objetivo mobilizar especialistas da sociedade civil e dos setores cientifico, acadêmico e privado na busca por soluções sustentáveis para problemas de escala global, nacional e local. A proposta é acelerar processos de aprendizado em conjunto e promover métodos que aproximam as boas práticas existentes em diversos locais. A Rede permite que líderes de todas as regiões e com experiências distintas interajam e garantam as estruturas necessárias nas tomadas de decisões.
A RSDS Mundial tem buscado contribuir com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pela ONU e seus Estados-membros durante a Rio+20. O novo conjunto de indicadores pretende mostrar as diretrizes para o desenvolvimento sustentável após 2015, quando expiram os Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODMs), adotados globalmente desde o ano 2000 como meta de combate à pobreza extrema em todas suas formas.