As Ilhas da Gigoia e Primeira, na Barra da Tijuca, ganharam no último sábado (22/02) pontos de coleta de óleo residual de fritura. A iniciativa é uma parceria entre a ONG Lagoa Viva e o Consórcio Construtor Rio Barra – responsável pelas obras da Linha 4 do Metrô (Barra-Ipanema). Além de contribuir para evitar o despejo de óleo na Lagoa da Tijuca, a novidade destinará o produto à reciclagem, para produção, de início, de sabão.
São dois pontos de coleta na Ilha da Gigoia e um na Ilha Primeira. Na Gigoia, um dos locais fica ao lado do Bar Caiçara, onde foi instalado um reservatório para mil litros. A expectativa é coletar, nas duas ilhas, e reciclar cerca de 10 mil litros de óleo vegetal neste ano, segundo o presidente da ONG Lagoa Viva, Donato José Velloso. Ainda de acordo com a ONG, cada litro de óleo nos rios e lagoas polui cerca de 1 milhão de litros de água.
– O óleo de cozinha é um grande malefício para os corpos hídricos. Vamos agora dar uma destinação correta, para reciclagem, ao óleo usado – comemora Donato, que acrescenta que haverá panfletagens nas casas, sobre a iniciativa, além da distribuição de15 galões nos pontos de maior produção de óleo de fritura.
Na Gigoia, há pelo menos mil domicílios e cerca de 4 mil moradores. Na ilha há ainda seis restaurantes, no total, duas pensões e pousadas. Já na Ilha Primeira, são 300 residências.
Proprietário do Bar Caiçara e morador da Gigoia há 16 anos, Fernando Mendes aprovou a instalação dos pontos de coleta. Ele observa que, como a ilha não tem rede de esgoto – assim como a Primeira -, o descarte do óleo de cozinha usado da maioria dos moradores vai para fossas sépticas, o que faz com o produto acabe escoando para o ambiente. Em seu estabelecimento – onde há uma caixa de gordura, para primeiro bloqueio do óleo usado – são acumulados 300 litros do material a cada 20 dias.
– Se a gente conseguir espalhar a ideia, vamos conseguir um resultado interessante – elogia Fernando, que também é presidente da Associação de Moradores e Amigos da Ilha Gigoia e Co-Irmãs (Amaigc).
O comerciante também celebrou a novidade de olho no certificado que o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) concede a grandes coletores de óleo. A obtenção do reconhecimento por essa prática verde passou, neste sábado, a ser um objetivo do comerciante, para valorizar o seu estabelecimento.
Morador da Gigoia, o biólogo Marcello Mello também comemorou a instalação dos pontos de coleta.
– É uma iniciativa positiva – avaliou.
O diretor de contrato do Consórcio Construtor Rio Barra, Lúcio Silvestre, ressaltou a importância do projeto.
– Aderimos ao projeto por ele estar alinhado aos valores do Consórcio, que trabalha para construir o metrô – meio de transporte de massa mais ecologicamente correto – com a preocupação de minimizar o impacto das obras para o meio ambiente.
Publicado em 24 de fevereiro de 2014 às 10:25