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Líder tucano diz que CPI pode virar farsa

Alvaro Dias, líder do PSDB no Senado, disse em entrevista exclusiva ao iG que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira poderá cair em descrédito se não aprovar a quebra do sigilo bancário da Delta Construções Nacional. “Isso é inevitável. A CPI seria uma farsa se não fizesse isso”, disse o líder tucano. Pivô do escândalo, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Cachoeira, é suspeito de ser sócio oculto da empreiteira.

Essa suspeita do “acordão” existe porque as investigações envolvem três governadores dos partidos que têm defendido votações em bloco na CPI: Marconi Perillo (PSDB), do Goiás, Agnelo Queiróz (PT), Distrito Federal, e Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro. “A votação em bloco se configurou como jurisprudência. Os três governadores estão no mesmo patamar de suspeição, portanto os três devem comparecer à CPI”, afirma Dias.

Ele argumenta que, nos últimos cinco anos, a empreiteira garantiu R$ 4,1 bilhões em empenhos – quando os recursos são reservados para pagamento no Orçamento. Ele lembra, porém, que 90% do valor é referente a verbas federais. “Há aí uma relação de promiscuidade que pode atingir figuras públicas do governo e da União”, afirma Dias. “É irrecusável investigar a Delta nacional, o senhor Fernando Cavendish (ex-dono da empreiteira) e outros diretores”. O tucano comenta que as denúncias de envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) no suposto esquema de Cachoeira causou o fim da amizade entre os dois. “Não há mais contato”, revela Dias. Demóstenes enfrenta processo no Conselho de Ética. Segundo o tucano, o goiano espera se safar da cassação na votação secreta. “No conselho, onde o voto é aberto, seu destino está traçado. (A cassação) Deve ser unanimidade”, diz.