
O Banco Central divulgou ontem (28/11) uma nota a imprensa da Política Monetária e Operações de Crédito. Confira:
I – Operações de crédito do sistema financeiro
O estoque total de crédito do sistema financeiro, incluindo recursos livres e direcionados, atingiu R$2.610 bilhões em outubro, após crescimentos de 0,5% no mês e 14,7% em doze meses. A elevação mensal foi determinada pelo acréscimo de 1,2% na carteira de pessoas físicas, uma vez que o saldo de pessoas jurídicas apresentou redução de 0,1%. Em consequência, a relação crédito/PIB alcançou 55,4%, comparativamente a 55,5% em setembro e a 52,4% em outubro de 2012.
O crescimento moderado do crédito em outubro refletiu, em parte, a recuperação do impacto causado pela greve bancária iniciada na segunda quinzena de setembro, condicionado, principalmente, pelo aumento nas concessões de financiamentos para pessoas físicas, em ambiente de recuperação gradual do ritmo da atividade econômica. Em linha com a tendência observada ao longo do ano, a expansão mensal foi mais acentuada no crédito direcionado (0,9%), sobretudo na carteira de pessoas físicas (2,1%), do que nas operações com recursos livres (0,2%).
As concessões de crédito com recursos livres e direcionados apresentaram elevação de 4,7% no mês, totalizando R$313 bilhões em outubro. O fluxo de empréstimos às famílias mostrou desempenho mais significativo, alta de 5,7%, ante retração de 3% em setembro. Destacaram-se os incrementos em crédito pessoal, 5,6%, cartão de crédito à vista, 5,8%, aquisição de veículos, 14,2%, financiamentos imobiliários, 5,6% e crédito rural, 4,5%. Os desembolsos a pessoas jurídicas somaram R$157 bilhões, com crescimento de 3,8% em outubro (1,5% em setembro), ressaltando-se a maior demanda por capital de giro, 18,5%, e conta garantida, 13,5%.
A participação das operações com recursos livres atingiu 56,2% do total de crédito do sistema financeiro em outubro, em comparação a 59,7% no mesmo mês do ano anterior. O total de crédito livre alcançou R$1.467 bilhões, após expansões de 0,2% no mês e 8% em doze meses, refletindo crescimento de 0,6% nas carteiras de pessoas físicas, saldo de R$735 bilhões, assinalando-se os acréscimos em crédito pessoal e cartão de crédito à vista, enquanto o saldo de pessoas jurídicas recuou 0,3%, atingindo R$732 bilhões.
A participação do saldo de operações de crédito direcionado alcançou 43,8% do total de crédito do sistema financeiro, ante 40,3% em outubro de 2012, atingindo R$1.143 bilhões em outubro, com acréscimos de 0,9% no mês e 24,6% em doze meses. A manutenção do crescimento foi sustentada, basicamente, pela expansão mensal de 2,1% nos financiamentos a pessoas físicas, comparativamente ao incremento de 0,1% nos financiamentos relativos a pessoas jurídicas. Consequentemente, os empréstimos às famílias representaram 42% do saldo total de crédito direcionado, ante 39,4% verificados em outubro de 2012. No segmento corporativo, refletindo liquidações de contratos e apreciação cambial do período, as carteiras de financiamentos com recursos do BNDES recuaram 0,6% no mês. Os desembolsos do BNDES ao setor produtivo, no entanto, cresceram 7,1% no mês, registrando R$14 bilhões em outubro, o que contribuiu para que as contratações acumuladas nos dez primeiros meses do ano atingissem R$132 bilhões, superando em 36,2% o volume registrado em igual período de 2012.
O crédito destinado ao setor privado alcançou R$2.472 bilhões em outubro, registrando expansão de 0,5% no mês. Os financiamentos imobiliários, que incluem operações com pessoas físicas e jurídicas, com taxas livres e reguladas, aumentaram 2,1%, ao totalizar R$378 bilhões e correspondendo a 8% do PIB, comparativamente a 6,5% em outubro de 2012. O crédito rural, refletindo a demanda por custeio agrícola, elevou-se 1,8% no mês, somando R$202 bilhões. O saldo dos empréstimos para o setor público totalizou R$138 bilhões, após expansão de 0,4% no mês, como resultado do acréscimo de 2,1% nos créditos a estados e municípios e da retração de 1,4% nas operações destinadas ao governo federal.
I.1 – Taxas de juros e inadimplência
A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, computadas as operações com recursos livres e direcionados, situou-se em 19,8% em outubro, com expansões de 0,4 p.p. no mês e 0,8 p.p. em doze meses. A taxa média do crédito livre registrou elevações de 0,6 p.p. e 2,8 p.p. nas mesmas bases de comparação, ao atingir 29%, enquanto no crédito direcionado, o indicador alcançou 7,4%, após aumento de 0,1 p.p. no mês e recuo de 0,2 p.p. em doze meses.
No segmento de pessoas físicas, a taxa média de juros avançou 0,6 p.p. no mês e em doze meses, situando-se em 26,1% em outubro. A variação mensal resultou, basicamente, do aumento de 1,1 p.p. na taxa relativa às operações com recursos livres, que alcançou 38,3%, assinalando-se as expansões respectivas de 6 p.p. e 1,2 p.p. nas modalidades de crédito pessoal não consignado e cheque especial. Nas operações com recursos direcionados, o custo médio elevou-se 0,2 p.p. no mês, para 7,2%.
No âmbito das pessoas jurídicas, a taxa média de juros alcançou 14,8%, após altas de 0,1 p.p. no mês e 0,8 p.p. em relação a outubro de 2012. Ressalte-se que, tanto no segmento livre quanto no direcionado, a taxa média cresceu 0,1 p.p. no mês, totalizando, na ordem, 20,8% e 7,5%.
O spread bancário das operações de crédito do sistema financeiro, consideradas as operações com recursos livres e direcionados, situou-se em 11,6 p.p., com elevação de 0,4 p.p. no mês e recuo de 0,8 p.p. em doze meses. Os spreads relativos aos segmentos de pessoas físicas e de pessoas jurídicas corresponderam a 17,3 p.p. e 7 p.p., respectivamente.
A inadimplência do sistema financeiro, referente a operações com atrasos superiores a noventa dias, diminuiu 0,1 p.p. no mês e 0,7 p.p. em doze meses, alcançando 3,2%. No crédito a pessoas físicas, a taxa recuou 0,2 p.p. no mês, para 4,6%, o menor patamar da série histórica iniciada em março de 2011, ocorrendo reduções de 0,2 p.p. nos segmentos livre e direcionado. Nos créditos a pessoas jurídicas, o percentual de inadimplência manteve-se em 2% pelo quarto mês consecutivo, revelando estabilidade nas taxas relativas aos segmentos livre e direcionado, que corresponderam a 3,4% e 0,5%, nessa ordem.
II – Evolução dos agregados monetários
A média dos saldos diários da base monetária atingiu R$217 bilhões em outubro, após crescimento de 1% no mês, correspondente aos avanços de 3,9% nas reservas bancárias e de 0,3% no papel-moeda emitido. Em doze meses, a base monetária cresceu 5,3%.
Entre os fluxos mensais dos fatores condicionantes da emissão monetária, destacaram-se as compras líquidas de divisas no mercado interbancário e os ajustes nas operações com derivativos, com impactos contracionistas, na ordem, de R$10,4 bilhões e R$4,7 bilhões. As operações com títulos públicos federais, que incluem a atuação do Banco Central no ajuste da liquidez do mercado monetário, provocaram contração de R$3,5 bilhões, decorrente de colocações líquidas de R$13,3 bilhões no mercado primário e compras líquidas de R$9,8 bilhões, no mercado secundário.
O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) situou-se em R$302,5 bilhões em outubro, com redução de 0,3% no mês, resultante dos declínios de 0,1% no papel-moeda em poder do público e de 0,5% nos depósitos à vista. Em doze meses, a variação acumulada do M1 alcançou 9,7%.
O saldo dos meios de pagamento no conceito M2, que corresponde ao M1 mais depósitos de poupança e títulos privados, aumentou 0,4% em outubro, totalizando R$1,9 trilhão. O saldo dos depósitos de poupança alcançou R$574,2 bilhões, com crescimento mensal de 1,1% e captações líquidas de R$4,5 bilhões, enquanto o saldo dos títulos privados somou R$997,5 bilhões, avançando 0,6% no mês, apesar de registrar resgates líquidos de R$10 bilhões em depósitos a prazo.
O conceito M3, que compreende o M2, as quotas de fundos de renda fixa e os títulos públicos que lastreiam as operações compromissadas entre o público e o setor financeiro, cresceu 0,3% no mês, totalizando R$3,8 trilhões, reflexo do crescimento de 0,2% observado no saldo das quotas de fundos de renda fixa, ao atingir R$1,7 trilhão. O M4, conceito que compreende o M3 e os títulos públicos de detentores não financeiros, registrou elevação de 0,5% no mês, influenciado pelo saldo dos títulos federais que avançou 2,1% na comparação com setembro, totalizando R$623,3 bilhões. Nos últimos doze meses o M4 cresceu 8,5%, atingindo o montante de R$4,4 trilhões.