
O esporte já recuperou a vida de muita gente e, com o intuito de salvar mais vidas, o Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) doou, na manhã desta sexta-feira (11/10), cerca de R$ 240 mil para a construção de uma quadra poliesportiva no Centro de Recuperação de Dependentes Químicos (Credeq), em Campo Grande. Fundado há 24 anos, o Credeq foi um dos primeiros centros de atendimento público para tratamento, em regime de internato, de dependentes químicos no Estado do Rio. A Loterj conta com o RIOSOLIDÁRIO (Obras Social do Rio de Janeiro) como instituição parceira.
O Credeq conta com uma equipe formada por profissionais das áreas de psicologia, nutrição, terapia, assistência social, entre outros. Desde a inauguração, o centro já tratou mais de 10 mil pessoas, entre adultos e adolescentes. Para o governador Sérgio Cabral, a instituição já comprovou a sua vocação para recuperar pessoas.
– Esse é um trabalho de conquista de corações e mentes e o Estado não pode fazer tudo sozinho – afirmou, lembrando da importância da doação da Loterj.
Os R$ 240 mil doados, de acordo com o presidente da Loterj, Sérgio Ricardo, são uma pequena parte do papel social da autarquia. A Loterj tem que doar 70% do seu lucro para obras sociais, atividades esportivas ou culturais. Para ele, essa é uma forma de devolver para a população o dinheiro que ela gasta toda vez que compra um produto da loteria.
– Eu considero que o apoio ao combate às drogas é fundamental não só como presidente da Loterj, mas como cidadão. Nós vivemos uma epidemia deste mal e devemos continuar apoiando as práticas que vão trazer as pessoas de volta para a sociedade – disse Sérgio Ricardo.
Ex-dependente química, a psicóloga Deise Passos coordena o Credeq há 23 anos. Ela explica que, há quatro anos, surgiu a necessidade de atender também adolescentes infratores e assim nasceu a parceria com o Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase). Os menores de idade ficam em instalações separadas dos adultos e recebem tratamento diferenciado. De acordo com ela, o processo é baseado numa reflexão sobre os danos que a droga pode causa na vida de uma pessoa. E foi dessa forma que ela também se livrou do vício.
– Ninguém tem noção de como foi o primeiro dia em que eu comecei a ver que o azul era azul e que o verde era verde. Eu conseguia enxergar o tamanho das mãos dos meus filhos. Isso foi fantástico – emociona-se Deise, que perdeu a mãe em virtude de uma overdose – Meu maior medo era que os meus filhos me vissem morrer dessa forma.
Um dos pacientes de Deise hoje é um orgulho para a instituição. Lauro Tavares, de apenas 21 anos, tinha 14 passagens pela polícia quando chegou ao Credeq. Após oito meses de tratamento, ele parou de usar drogas e hoje trabalha como auxiliar de serviços gerais no lugar onde se recuperou.
– Os maiores beneficiados pela minha recuperação são a minha família e a sociedade. Hoje a minha mãe não fica me esperando a madrugada inteira sem saber se eu volto vivo. Hoje eu não roubo mais as pessoas, não bato mais em ninguém – disse o jovem.
Em tratamento há pouco mais de um mês, Luciano Athayde acredita que a sua vida está voltando para o rumo certo. Para ele, a quadra poliesportiva que será construída será mais uma forma dos internos se desligarem de vez do mundo em que viviam antes da recuperação. Mãe de Luciano, Débora Athayde celebrou o sucesso no tratamento do seu filho.
– Ver o meu filho como eu vi é horrível. Este aqui do meu lado é o meu verdadeiro filho. Eu só tenho a agradecer pelo tratamento que eles dão aqui e essa quadra é mais um ponto positivo. O esporte muda a vida das pessoas – afirmou a mãe.
Hércules Cavadas, que completou 18 anos dentro da instituição, foi internado por determinação da Justiça há dois meses. Pai de um menino de três anos, ele já acumula diversas passagens pela polícia, mas sonha com um futuro melhor.
– Quando eu sair daqui, quero estudar e trabalhar. A vida da minha família mudou e eu não quero voltar para o que eu vivia antes – afirmou.