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A Comissão Pastoral da Terra denunciou que 1.500 famílias estão sendo desapropiadas ilegalmente pelo grupo EBX

A Comissão Pastoral da Terra denunciou e divulgou nota hoje (10) contra o processo de desapropriação de agricultores no município de São João da Barra, norte do estado do Rio, um número que pode chegar a 1.500 famílias estão sendo pressionadas a abandonarem suas casas. Para construçao de  um complexo industrial ligado ao Superporto de Açu, do grupo EBX, do empresário Eike Batista.As 1,500 familias moram nos distritos de Água Preta, Barra do Jacaré, Sabonete, Cazumbá, Campo da Praia, Bajuru, Quixaba, Azeitona, Capela São Pedro e Açu.
Carolina de Cássia a representante da Comissão Pastoral da Terra na região,, declarou que  o  desejo  de  todos moradores é permanecer na terra, onde moram há gerações, mas se sentem pressionados a saírem. “A obra está avançando de forma muito truculenta, tirando os agricultores e os ameaçando. Lá tem muitos idosos que moram há anos na região e estão adoecendo [com a situação]. Nós encontramos vários deles que entraram em processo de depressão e estão acamados”.

A assessoria da  empresa LLX, subsidiária da área de logística do grupo EBX, informou que está sendo investido  R$ 150 milhões no processo de desapropriação, inclusive com a construção de uma localidade batizada de Vila da Terra, para onde estão sendo levadas 90 famílias de pequenos agricultores, que tinham até dez hectaresm.

As famílias  classificaram as condições  da Vila da Terra como “favela rural”, pela proximidade entre as casas, pois elas estão acostumadas a viverem em terras mais amplas onde plantam e vivem da agricultura.

Carolina ressaltou que já estão sendo mobilizadas instâncias jurídicas, como o Ministério Público Federal (MPF), para dar assessoria aos moradores..

Representantes da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) chegaram à região neste final de semana, para reforçar a luta contra a desapropriação. Segundo a Comissão  Pastoral da Terra, as terras são férteis e produtivas  não devem ser utilizadas para a construção de um complexo industrial.

O Porto do Açu é um dos mais ambiciosos projetos de Eike Batista, dotando a região de um porto moderno para grandes embarcações, que embarcariam minério de ferro produzido em Minas Gerais, por meio de um mineroduto com 525 quilômetros (km), além de outras cargas, totalizando 350 milhões de toneladas por ano. Na área próxima ao porto, Eike planeja instalar dezenas de empresas dos setores siderúrgico, metal-mecânico, armazenamento de petróleo, estaleiro, tecnologia da informação, além de uma usina termelétrica.