
Após a acirrada disputa e sem o reconhecimento do resultado pela oposição, Nicolás Maduro, foi proclamado presidente eleito pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na tarde de hoje (15). Enquanto era proclamado, ele recebeu apoio de milhares de eleitores que se concentraram ao lado do CNE.
Mas com a estreita diferença de votos, houve protestos de eleitores oposicionistas que pediam a recontagem de votos. “Aqui não há uma maioria, aqui há duas metades”, disse Capriles em uma entrevista à noite, após confrontos entre oposicionistas e a polícia. Centenas de pessoas prometem fazer um “panelaço” em protestos respaldando ao opositor.
Maduro, por sua vez acusou, a oposição planejar um golpe de Estado. “Eu denuncio que estão preparando um plano para desconhecer a instituição democrática”, disse. “Maioria é maioria e deve ser respeitada. Na democracia não se pode haver emboscadas e inventos contra a soberania popular”.
Na cerimônia de proclamação, Maduro recebeu o apoio massivo de ministros de seu governo, dos setores militares do país, da União das Nações Sulamericanas (Unasul) e do Mercosul. A missão da Unasul reconheceu o resultado do CNE, mas a Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu a recontagem de votos. O CNE não se pronunciou sobre o pedido de verificação de votos feito pela oposição. Nas ruas a população refletia sobre a vitória apertada conquistada por Maduro.
O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, disse em entrevistas à imprensa em Caracas que o “chavismo deve aproveitar o momento para fazer uma autocrítica” e pensar sobre os motivos que levaram o governo a apresentar um resultado abaixo do esperado e do favoritismo apresentado nas pesquisas divulgadas antes das eleições.
A cerimonia de juramentação de Maduro deve ser na data prevista inicialmente, na próxima sexta-feira (19).
O novo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi eleito neste domingo (14) em votação realizada 40 dias após a morte do líder Hugo Chávez,Maduro, que já vem governando o país desde que Chávez foi a Cuba para se tratar em dezembro passado, vai tomar posse em 19 de abril.
Em uma vitória já prevista, mas por uma margem de 1,59 ponto percentual, muito mais apertada do que o esperado, ele superou o oposicionista Henrique Caprilese vai governar o país sul-americano até 2019.
Maduro teve 50,66% dos votos, contra 49,07%, segundo Tibisay Lucena, chefe do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela.
Ela afirmou que os resultados são irreversíveis, pediu respeito a eles e aconselhou os venezuelanos a se manterem em casa.
Ao longo da campanha, Maduro “colou” sua imagem à do carismático Chávez, de quem se disse “filho” e “apóstolo”, em uma tentativa de encaminhar a escolha popular para o lado emocional.
As pesquisas eleitorais davam uma vantagem de sete pontos para Maduro em relação ao rival, mas o resultado das urnas se mostrou mais apertado.
Maduro disse que sua vitória foi “justa e legal” e prometeu manter as conquistas dos 14 anos de governo Chávez.
Pouco antes do anúncio, o candidato derrotado Capriles insinuou uma suposta tentativa de fraude, mas foi rechaçado pelo governo, que o acusou de “irresponsabilidade”.
Maduro terá como desafio dirigir uma nação dividida, ele afirmou que não fará um “pacto” com a “burguesia”, seguindo na linha chavista de acirrar o confronto de classes no país, a crise econômica e a violência são alguns dos principais desafios que ele terá pela frente.
A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo em todo o mundo, mas com a maior inflação da América Latina, 20,1% em 2012, uma indústria deprimida, ciclos de escassez e uma dívida pública que ultrapassa 50% do PIB.
A eleição deste domingo ocorreu porque Chávez, reeleito presidente em outubro do ano passado, nem chegou a assumir o mandato, por conta de seus problemas de saúde,e morreu em 5 de março, em um hospital militar de Caracas, após uma longa luta contra o câncer.
Maduro, de 50 anos, ex-motorista, ex-sindicalista e ex-ministro das Relações Exteriores, afirmou, ao longo da campanha, que pretende continuar a chamada “revolução bolivariana” de Chávez, marcada por projetos sociais que beneficiaram os mais pobres, mas também por problemas.