Noticias

Sindicato das vans vai acionar o MP contra proibição de circular na zona sul

 

Foto: Manchete Online

O Sindicato das Vans do Rio de Janeiro (Sindvans-Rio) informou na tarde desta segunda-feira (15) que vai acionar o Ministério Público (MP) contra a proibição de circular na zona sul da cidade, imposta por decreto pelo prefeito Eduardo Paes.

De acordo com o secretário geral do Sindvans, Paulo Oliveira, o documento deve ser entregue ao órgão no fim da tarde desta terça-feira (16), após um protesto que está previsto para ocorrer às 14h, em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, no Centro do Rio.

Ainda segundo ele, uma reunião está marcada para às 9h do dia 29 de abril, também na Câmara, para debater o assunto. O encontro será preparatório para uma audiência pública. De acordo com o Sindvans, diversas providências já foram tomadas pelo sindicato para garantir o direito da categoria de atuar no transporte do Rio.

Uma delas é a criação de uma Frente Parlamentar em defesa do transporte complementar junto aos vereadores. A medida foi aceita pelo vereador Marcio Garcia, que é o atual presidente da Frente, publicada na última quarta-feira (10) no Diário Oficial do município. De acordo com o Sindvans, que possui cerca de dois mil motoristas sindicalizados, o objetivo é discutir de maneira adequada a relação entre Prefeitura e o sindicato.

Ainda de acordo com Oliveira, a Prefeitura descumpriu o que havia sido combinado com o sindicato antes das eleições no que se refere ao processo licitatório de vans no Rio. Para o sindicato, a licitação é ilegal e está em total desacordo com as negociações feitas entre o vice-prefeito Carlos Alberto Vieira Muniz e o então Secretário Municipal de Transportes, Alexandre Sansão.

Segundo o Sindvans, o acordo, firmado em 21 de dezembro de 2012, garantiria a licitação de 3.500 vagas para o STPL e a formação de uma Comissão Mista para viabilizar a abertura de vagas para o STPN (transporte noturno) e o STPE (transporte executivo). “Depois de eleito, para surpresa de todos, o Sr. Eduardo Paes aparece na mídia, evidentemente desequilibrado, xingando o segmento de “delinquente”, ameaçando (de modo vingativo) os trabalhadores com a indicação de um Delegado de Polícia [referindo-se ao coordenador de Transporte Especial Complementar, Cláudio Ferraz] para “tratar” da questão do transporte alternativo, segundo ele, “doa a quem doer” e, equivocadamente, encaminhando para o campo da criminalização um assunto cuja solução é, essencialmente, política”, afirma nota enviada pelo Sindicato.

Sobre essas denúncias, Oliveira disse que “o prefeito, com esses atos, está querendo o confronto com a categoria. Mas quebrou a cara porque os trabalhadores respeitam a lei. A linha que o sindicato está seguindo é a político-jurídica, através da Frente Parlamentar e do Ministério Público”, afirmou.

Primeiro dia de proibição foi marcado por protestos

Cerca de cem motoristas de vans fizeram um protesto em frente ao prédio da Secretaria municipal de Transportes, na Rua Dona Mariana, em Botafogo, e pediram para ser recebidos pelo secretário. Eles chegaram a interromper o tráfego no local por cerca de 20 minutos.

O Sindvans informou desconhecer essa manifestação e disse que muitos motoristas, revoltados por não poderem trabalhar, estão realizando atos isolados pela cidade. Ainda segundo Oliveira, o sindicato não pretende realizar carreatas.

Na manhã desta segunda-feira, motoristas de vans e usuários fizeram um protesto na Praça Sibélius, na Gávea, e pela orla da zona sul, contra a proibição do transporte. Cerca de 100 pessoas ocuparam as duas faixas da pista da orla de Ipanema e Leblon e seguiram em direção ao Arpoador. A Avenida Visconde de Albuquerque ficou liberada ao tráfego de veículos e apresentou trânsito lento. O panorama foi o mesmo na Rua Venâncio Flores, com reflexos na Avenida Niemeyer, sentido Leblon.

O protesto contra a proibição da circulação do transporte alternativo na zona sul teve início na Rocinha, onde houve tumulto no começo da manhã. Agentes da CET-Rio e da Guarda Municipal acompanharam a manifestação.

Os motoristas que seguiram para a Barra da Tijuca também encontraram lentidão. O congestionamento atingiu as avenidas das Américas, Armando Lombardi e Ministro Ivan Lins. Pelo menos 24 bloqueios foram montados na descida do Elevado do Joá para a Lagoa-Barra, sentido São Conrado.

A coordenaria do Transporte Especial Complementar (TEC) informou que os bloqueios serão mantidos até que motoristas e passageiros se habituem com o novo sistema. Portanto, não há data definida para o término das operações.