O governo da Coreia do Norte rejeitou ontem (14) a proposta de diálogo com a vizinha Coreia do Sul sobre o futuro do complexo industrial conjunto de Kaesong, que corre o risco de ser fechado por falta de mão de obra norte coreana. As atividades no parque industrial estão suspensas e as autoridades norte-coreanas indicam que podem tomar uma decisão definitiva. Desde o dia 3, a Coreia do Norte impede o acesso dos sul-coreanos ao complexo, que fica em território norte-coreano.
Na semana passada, o governo norte-coreano determinou a retirada de 53 mil operários do país que trabalham no local. Por meio dos veículos oficiais de imprensa da Coreia do Norte, as autoridades do país informam que a medida foi tomada em reação à posição de confronto da Coreia do Sul.
Nas últimas semanas, a tensão na Península Coreana aumentou com as ameaças da Coreia do Norte de deflagrar uma guerra nuclear na região. A guerra pode atingir os territórios do Japão, da Coreia do Sul e também dos Estados Unidos.
O parque industrial de Kaesong reúne 123 empresas sul-coreanas. É uma parceria entre as duas Coreias: a do Sul entra com a tecnologia e o conhecimento, enquanto a do Norte envia operários. O complexo é o que resta dos esforços de reconciliação, após o congelamento das relações bilaterais em 2010. Em 2012, o volume de negócios somou US$ 469,5 milhões.
O ministro da Defesa do Japão, Itsunori Onodera, disse hoje (15) que o país está em “alerta elevado” devido à possibilidade de a Coreia do Norte promover testes com mísseis durante as celebrações do aniversário do seu fundador, Kim Il-sung – avô do atual presidente norte-coreano, Kim Jong-un. O aniversário de 101 anos de Kim Il-sung é comemorado nesta segunda-feira.
“Estamos vigilantes e em elevado estado de alerta”, disse Onera. Ontem (14) o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que está em Tóquio, capital japonesa, reiteraram que os dois países continuarão a cooperação em meio às ameaças da Coreia do Norte.
O aniversário de Kim Il-sung é a celebração mais importante da Coreia do Norte. Muitos especialistas consideram provável que as autoridades norte-coreanas promovam os testes, aproveitando a data. No fim de semana, as autoridades sul-coreanas não observaram indicações de testes por parte da Coreia do Norte.
As celebrações em Pyongyang, capital da Coreia do Norte, começaram à meia-noite de ontem com a visita do atual presidente ao mausoléu do avô, no Palácio do Sol de Kumsusan, no qual também está também o corpo embalsamado do pai, Kim Jong-il, para prestar homenagens, segundo a agência estatal de notícias do país, KCNA.
Participaram da cerimônia Kim Jong-un, autoridades militares norte-coreanas, entre as quais Jang Song-thaek, tio do líder norte-coreano e apontado como o número 2 do regime, que depositaram flores no mausoléu de Kim Il-sung.
Também houve homenagens, com flores, na estátua de bronze de Kim Il-sung em Pyongyang, que tinha as ruas decoradas. A Coreia do Norte celebra todos os anos em 15 de abril, conhecido como o Dia do Sol, o nascimento de Kim Il-sung, com diversas atividades.
Kim Il-sung fundou o Estado comunista norte-coreano em 1948 sob a própria doutrina, chamada de juche – uma versão do socialismo baseada na autossuficiência. Ele presidiu o país até a sua morte, em 1994, quando o filho Kim Jong-il lhe sucedeu, tendo liderado a Coreia do Norte também até a sua morte, em dezembro de 2011
Fonte Agência Brasil