O governo da Coreia do Norte recomendou hoje (9) que empresas estrangeiras, organizações internacionais e turistas que estejam na Coreia do Sul deixem o país por questão de segurança. A sugestão ocorre no momento em que os norte-coreanos ameaçam deflagrar uma guerra nuclear na Península Coreana.
Em nota, divulgada pela agência de notícia oficial do país, a KCNA, o governo norte-coreano informou que não deseja que estrangeiros sofram quaisquer riscos, caso o país entre em guerra. As ameaças se acentuaram nos últimos dias, provocando também reações por parte dos sul-coreanos, norte-americanos e japoneses que estão em alerta.
Na semana passada, autoridades norte-coreanas aconselharam embaixadas estrangeiras a retirar seus funcionários do país, na eventualidade de um conflito. Hoje, trabalhadores norte-coreanos deixaram de ir trabalhar no complexo industrial de Kaesong, mantido com a Coreia do Sul, o que na prática provocou o fechamento do último símbolo de cooperação entre as duas nações vizinhas.
O complexo industrial emprega mais de 50 mil norte-coreanos que trabalham para companhias sul-coreanas. Paralelamente, o Japão implantou interceptadores de mísseis para o centro de Tóquio, como forma de precaução contra um possível ataque norte-coreano.
Parte dos operários norte-coreanos falta ao trabalho no complexo industrial de Kaesong
Parte dos 54 mil operários norte-coreanos do complexo industrial de Kaesong, único projeto de cooperação em vigor entre as Coreias do Sul e do Norte, não compareceu hoje (9) ao trabalho. Eles cumprem ordem da Coreia do Norte, que suspendeu as atividades no parque industrial e ameaça deflagrar um conflito nuclear na região.
Funcionários do Ministério da Unificação da Coreia do Sul confirmaram que os trabalhadores não se apresentaram ao trabalho na manhã desta terça-feira e que a Coreia do Norte não planeja pôr em funcionamento os habituais serviços de ônibus utilizados como transporte dos trabalhadores entre as suas casas e o parque.
O regime norte-coreano alertou ontem (8) que pretende retirar do parque todos os 54 mil trabalhadores que atuam nas 123 empresas sul-coreanas instaladas na área, após seis dias em que impediu a entrada de cidadão da Coreia do Sul no complexo.
O complexo de Kaesong foi aberto em 2004 em uma época de aproximação entre as duas Coreias e como forma de cooperação do Sul com o Norte.
Japão implanta mísseis de superfície como prevenção a ataques da Coreia do Norte
O Ministério da Defesa do Japão informou hoje (9) que foram implantados mísseis de superfície em Tóquio, capital do país, como medida de prevenção a eventuais ataques da Coreia do Norte. A ação faz parte do plano de defesa japonês preparado pelas Forças Armadas. Porém, os detalhes são mantidos em sigilo.
Os mísseis preparados são denominados interceptadores e chamados de Patriot Advanced Capability-3 (PAC3). Os dois mísseis estão em uma área de exercícios direcionada para a região da Península Coreana. A ordem do governo do Japão é abater qualquer míssil que ameace o país.
Há informações que foram preparados também mísseis do tipo PAC em outras regiões do Japão. O esquema de defesa envolve ainda navios equipados com sistema avançado de radar e interceptadores para rastrear e abater mísseis.
A tensão na Península Coreana se agravou nos últimos dias com a ameaça do governo da Coreia do Norte de promover testes nucleares. As ameaças foram respondidas pelos sul-coreanos, norte-americanos e japoneses com ações – todos colocaram seus arsenais bélicos em alerta. O clima gerou sanções da comunidade internacional e advertências, mas nem por isso o temor diminuiu.
Fonte Agência Brasil
Publicado em 9 de abril de 2013 às 8:30