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Presos que aplicavam golpes no consórcio Carbens de carros

Suspeitos de fazerem parte de uma quadrilha acusada de montar um esquema de pirâmide no ramo de consórcio de automóveis criaram uma espécie de cartilha para ensinar os consultores a enganar os clientes.

Agentes da Delegacia de Defraudações cumpriram 12 mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (29) contra pessoas ligadas a Carbens. Segundo a investigação, o grupo prometia os veículos, mas raramente os entregava.

O manual aprendido pela polícia orientava o consultor a:

não passar informações por e-mail, nem por telefone;
não dar prazo de entrega;
e diante do comentário do cliente: “estou achando muito fácil”, o consultor deveria responder: “não é tão fácil, pode até parecer, mas precisa passar por etapas até chegar à compra do bem”.

“Na busca e apreensão, nós apreendemos diversos documentos, entre eles um que chamou atenção, um manual do consultor. Esse manual os consultores tinham, eram preparados para ter todas as respostas para eventuais dúvidas e suspeitas dos associados e dos futuros associados. Para passar uma credibilidade e ter todas as respostas na ponta da língua”, disse o delegado Alan Luxardo.

Três envolvidos no esquema foram indiciados por estelionato, associação criminosa e crime contra a economia popular. Eles foram identificados como os donos do negócio: Davi Ferreira De Lima; Danielle Nascimento Silva; e Vinicius Ribeiro Do Nascimento.

Segundo as investigações, se tratava de um esquema de pirâmide, no qual os novos recursos pagavam os automóveis de alguns consorciados anteriores, mas, como toda pirâmide, nem sempre a conta fechava.

O manual de conduta também orientava o consultor a explicar que a empresa trabalhava com o autofinanciamento e que poderia ser para todos, inclusive pessoas que não tinham como comprovar renda ou com restrições no SPC e Serasa.

“O que nós apuramos até agora é que alguns veículos eram entregues para manter a legalidade, só que os novos aportes obtidos pela empresa serviriam pra pagar esses veículos, então era uma pirâmide com o nome de consorcio de veículos”, explicou o delegado Alan Luxardo

Segundo o titular da Delegacia de Defraudações, o diferencial da empresa era aceitar pessoas sem crédito comprovado.

Para impressionar as vítimas, os indiciados utilizavam uma grande estrutura logística. De acordo com as investigações, eles mantinham, inclusive, salas em grandes shopping centers., com representações no Centro, Madureira, Taquara, Recreio dos Bandeirantes, Duque de Caxias e Niterói.

Diversas pessoas que procuraram a Delegacia de Defraudações confirmaram que faziam pagamentos iniciais de quantias muito elevadas para ingressar no consórcio.

Na operação desta quarta, os policiais também apreenderam contratos, computadores, aparelhos de celular e 18 maquininhas de cartão.