Noticias

Prefeitura do Rio derruba casas em condomínio irregular

Policiais ambientais, guardas municipais e fiscais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Conservação do Rio de Janeiro interromperam, na manhã desta quinta-feira (23), a construção de um condomínio irregular em Campo Grande, na Zona Oeste da cidade.

O local já tinha placa, com o nome Viva Verde Residencial, ruas em construção e as casas estavam sendo erguidas em um terreno de 135 mil metros quadrados, o equivalente a 13 campos de futebol.

O terreno fica na Rua Soldado Antônio da Silveira, no Rio da Prata. Vinte operários que estavam no local foram levados para a delegacia. Um caminhão e duas retroescavadeiras foram apreendidos.

A operação teve o apoio de um helicóptero. Os agentes usaram a máquina dos donos da obra para demolir as construções.

Na guarita, os fiscais encontraram a planta do empreendimento, que conta com 360 lotes numerados, além de promessas de compra e venda em nome da empresa Real Carioca Agenciamento de Atletas e de seu sócio, Milton de Souza Júnior.

“Isso vai ser passado para o Ministério Público e para a Polícia Civil que o responsável pelo empreendimento tem vários outros na Zona Oeste do Rio de Janeiro e outras áreas da cidade. Que a gente consiga desdobrar isso em respostas efetivas para os crimes que vêm acontecendo”, afirmou Eduardo Cavaliere, secretário municipal de Meio Ambiente.

Os agentes também acharam cópias de uma notificação de embargo da obra que foi ignorada.

Em uma das casas do local, os donos já usavam o quintal, que tem uma piscina com as máquinas instaladas, além de instalação de energia e churrasqueira.

Na internet é possível encontrar anúncios da venda de lotes no local, a partir de R$ 75 mil. Em um dos contratos, o lote custou R$ 85 mil.

A Prefeitura do Rio afirma que a milícia explora o negócio e que o lucro com a venda é estimado em, pelo menos R$ 27 milhões.

“Um condomínio como este, com cortes de talude, supressão de vegetação do limite do Parque Estadual da Pedra Branca, parcelamento de solo feito de maneira irregular. É um condomínio ilegalizável”, disse Cavaliere.

Um vizinho, que prefere não ser identificado por segurança, conta que existia uma mata no local.

“Isso era uma mata fechada, aqui tinha pé de tudo aqui, pé de jaca, comíamos jaca, nós passeávamos aqui dentro, tinha muito mato, preservação, tinha gambá, tinha tatu. A gente vê que a natureza está acabando e, junto com o progresso, vem a criminalidade também”, afirmou o morador.