A Polícia Federal abriu inquérito, nesta quarta-feira (30), para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde. O inquérito tramitará no Serviço de Inquéritos (Sinq), unidade da PF que investiga políticos com foro privilegiado.
A apuração foi aberta a pedido do Ministério da Justiça, depois que a CPI da Covid levantou indícios de problemas envolvendo a compra do imunizante, o mais caro contratado pelo ministério.
A empresa intermediária dessa venda no Brasil, a Precisa Medicamentos, é alvo de outras investigações em andamento.
O senador Flávio Bolsonaro afirmou, nesta sexta-feira, 25, conhecer o dono da Precisa Medicamentos, Francisco Emerson Maximiano, por meio de “amigos em comum” e que não tem relação comercial com o empresário. Mesmo assim, o filho do presidente Jair Bolsonaro confirmou ter levado Maximiano para uma reunião com o presidente do BNDES, Gustavo Montezano, em 13 de outubro. O encontro, feito via videoconferência, foi revelado pelo site da revista Veja.
“Conheço o senhor Maximiano de amigos em comum aqui em Brasília, como conheço milhares de pessoas. Mas não tenho absolutamente nenhuma relação comercial, financeira, com o senhor Maximiano”, disse, em vídeo publicado nas redes sociais.
Segundo ele, a reunião tratou sobre um pedido de financiamento para outra empresa de Maximiano, a Xis Internet Fibra. Montezano, do BNDES, é amigo de Flávio.
“O que fiz, sim, foi pedir ao presidente do BNDES para que ouvisse a boa ideia trazida pelo senhor Maximiano para que o BNDES pudesse entender e, quem sabe, dar algum suporte para levar internet para o Norte e para o Nordeste”, disse.
A Precisa está no foco da CPI da Covid. A empresa é a representante no Brasil da Bharat Biotech, farmacêutica indiana contratada para fornecer a vacina Covaxin, contra a covid-19. O contrato é de R$ 1,6 bilhão. As 20 milhões de doses acertadas não foram entregues, e o dinheiro não foi desembolsado.
Maximiano e a Precisa estão sob investigação da CPI após o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda afirmar, em depoimento ao Ministério Público Federal, que sofreu “pressão atípica”, por parte de seus superiores, para agilizar a importação dos imunizantes. Em depoimento à comissão nesta sexta, Ricardo Miranda afirmou que também recebeu telefonema de Francisco Maximiano para tratar das vacinas.