A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou o ímpeto nacionalista do presidente Jair Bolsonaro resultante da crise dos incêndios na Amazônia, alertando que há uma “redução no espaço democrático” no Brasil.
“Nos últimos meses, observamos (no Brasil) uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”, disse Bachelet em entrevista coletiva em Genebra.
A ex-presidente do Chile (2006-2010 e 2014-2018) também evocou um aumento do número de pessoas mortas pela polícia no país liderado pelo presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, ressaltando que esta violência afeta desproporcionalmente os negros e as pessoas que vivem em favelas.
Ela lamentou o “discurso público que legitima as execuções sumárias” e a persistência da impunidade em vigor desde a chegada de Bolsonaro ao poder.
Também se referiu ao desmatamento da Amazônia, causado, segundo especialistas, pelo avanço das atividades agrícolas e de mineração, em um processo que começa com queimadas.
O presidente brasileiro está em disputa aberta com Macron há semanas devido ao aumento alarmante de incêndios na Amazônia, descrito como “crise internacional” pela França.
Em entrevista publicada na terça-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro reiterou que só aceitará a ajuda para combater os incêndios anunciada por Macron após a recente reunião do G7, se o presidente francês se retratar por ter sugerido a internacionalização da Amazônia.
E, ironicamente, ele agradeceu a Macron por permitir que empunhasse a bandeira do nacionalismo, em uma época em que o presidente brasileiro sofre uma erosão de sua popularidade.
“Não preciso de esmolas. Ele (Macron) me deu duas coisas de graça: o discurso da soberania e o do patriotismo”.
Ontem, Bolsonaro pediu aos brasileiros que usem as cores verde e amarelo durante as comemorações de 7 de Setembro para reafirmar a soberania brasileira sobre sua região amazônica.
“Não é para me defender, ou ofender quem quer que seja. É para mostrar pro mundo que este é o Brasil, que a Amazônia é nossa”, afirmou.