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Galo é processado por cantar e incomodar vizinhos na França

 

A Justiça da França começa a examinar nesta quinta (4) uma disputa contra o galo mais famoso do país, Maurice, que vive   na pacata aldeia francesa de Saint-Pierre-d’Oléron, encrustada numa ilha na costa atlântica oeste da França. O seu canto de madrugada é agudo, e fez com que  entrassem na Justiça contra ele por poluição auditiva.

O caso corre na Justiça desde 2017, mas foi aos tribunais da aldeia nesta quinta-feira 4. A dona da ave, Corinne Fesseau, cantora e provável inspiração para a cantoria matutina de Maurice, atesta que o bicho é inofensivo. “Eu moro aqui há 35 anos e ele nunca incomodou ninguém”, diz ela.

Corinne ainda argumenta que seus vizinhos pouco vêm à aldeia e são incapazes de absorver a vida campestre. “Espero que essas pessoas entendam o significado da ruralidade”, afirma ela.

 

Maurice canta todas as manhãs às 6h30. Ele incomoda vizinhos que não são da região, mas que compraram um imóvel lá depois de terem se aposentado.

A disputa entre o galo e seus vizinhos representa um enfrentamento simbólico entre dois estilos de vida: de um, estão os moradores da ilha de Oléron que sempre tiveram galos e galinhas; de outro, pessoas que vieram de outras partes da França e foram viver lá.

A briga ganhou repercussão significativa: mais de 120.000 pessoas já assinaram uma petição online a favor de Maurice, que não compareceu presencialmente ao tribunal. A decisão da corte sobre sua cantoria será tomada apenas em setembro.

Christophe Sueur, prefeito de Saint-Pierre-D’Oléron, ressalta que o caso do galo é um reflexo de como vive a sociedade contemporânea, com pouco espaço para a tolerância. “O problema é que não toleramos mais uns aos outros”, diz ele.

O prefeito ainda enumera os sons tradicionais do campo que, segundo ele, devem ser protegidos. “Aqui, podemos ouvir canções de rolas, o som de gaivotas, tratores, e é isso que faz a beleza da nossa ilha. A paisagem sonora é muito importante e contribui para o charme da nossa paisagem”, defende ele.

Os apoiadores criaram um movimento “Eu sou Maurice” em redes sociais. A  fama de  Maurice foi usada para chamar atenção para as causas dos coletes amarelos.

A dona de Maurice, Corinee Fesseau, disse à CNN que os vizinhos reclamaram pela primeira vez em 2017.

Formalmente, a acusação na Justiça é de poluição sonora. A decisão só deve ser dada no dia 5 de setembro.

“Espero que essas pessoas entendam o significado da vida rural”, disse Fesseau.