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Militar da comitiva do Bolsonaro com 39kg de cocaína repercute no mundo

O mundo inteiro está repercutindo a notícia de que um militar, integrante da comitiva do presidente Jair Bolsonaro para a cúpula do G-20, no Japão, foi preso com 39kg de cocaína ao desembarcar de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) na Espanha.
O segundo-sargento da Aeronáutica detido nesta terça-feira, acusado de transportar drogas na bagagem, Manoel Silva Rodrigues, já realizou, desde 2015, pelo menos 29 viagens, e em uma delas estava no grupo de militares que seguiram o presidente Jair Bolsonaro de Brasília a São Paulo, em fevereiro deste ano. As informações constam no Portal de Transparência do governo, que aponta também que o sargento tem remuneração bruta de R$ 7. 298.
O sargento integrava a tripulação de um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) de apoio à comitiva da viagem de Bolsonaro para o encontro do G-20 no Japão. Ele foi preso em Sevilha pelas autoridades espannholas.
Após a prisão do sargento, o avião de Bolsonaro mudou a rota de viagem. Ele decolaria de Brasília rumo a Sevilha para, na sequência, seguir viagem ao Japão. O presidente parou em Lisboa, a capital de Portugal, como local de escala.
O jornal francês Le Monde chamou o caso de “Aerococa”, em referência a como o caso foi tratado no Twitter. “Bolsonaro abalado pelo caso “Aerococa”, depois que 39 kg de cocaína foram encontrados em um avião oficial”, escreveu o jornal em sua manchete. Ele também classificou o presidente brasileiro como um “líder de extrema-direita” e afirmou que, “envergonhado”, Bolsonaro “tentou salvar a imagens do exército” com uma postagem em suas redes sociais.
Para o jornal inglês Financial Times, o episódio coloca o presidente “sob pressão”. “Cocaína na Espanha coloca Bolsonaro sob pressão”, noticiou. O veículo lembrou que o caso ocorreu no mesmo dia em que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, estava nos Estados Unidos visitando uma agência antidrogas.
O também inglês The Guardian, por sua vez, classificou o caso como “tráfico de drogas”, logo em seu título. “Membro da Aeronáutica (que viajava) com delegação do Brasil no G20 é detido por tráfico de drogas”, escreveu. Já a rede americana CNN escreveu que “Oficial viajando com o presidente brasileiro Bolsonaro é detido com 39 quilos de cocaína”.
“Detido em Sevilha um militar da comitiva de Jair Bolsonaro com 39kg de cocaína”, foi o título da notícia do espanhol El País. O jornal lembrou também que “não foi a primeira vez que membros da Força Aérea Brasileira usam sua condição de militares para traficar drogas”, e citou um em que, em abril, o Superior Tribunal Militar (STM) determinou a expulsão de um tenente-coronel que transportava 33 quilos de cocaína, também em um

Na gestão de Bolsonaro, Silva Rodrigues fez mais duas viagens. Em 24 de maio, ele voou de Brasília a Recife e fez o retorno no mesmo dia, período em que Bolsonaro visitou Pernambuco, capital do Estado. Em março, o sargento fez voos entre os dias 18 e 19, com destino as cidades de Porto Alegre e São Paulo. Na data, no entanto, Bolsonaro estava em viagem aos Estados Unidos.

Mais cedo, pelo Twitter, o vereador carioca e filho do presidente, Carlos Bolsonaro, havia dito que, até “onde” sabia, o sargento não havia voado com pai. Um tempo depois, se corrigiu na mesma rede. “Corrigindo, voou sim! Estou sabendo agora, em fevereiro! Assim como voou com Dilma e Temer”, disse Carlos.
Os antecessores de Bolsonaro também viajaram com Silva Rodrigues na equipe de voo. Em janeiro do ano passado, quando Michel Temer embarcou para a Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial em Davos, há registro do serviço do sargento no transporte do escalão avançado da Presidência. O portal também aponta que Silva Rodrigues viajou a Juazeiro do Norte (CE) em maio de 2016, quando a ex-presidente Dilma Rousseff esteve na cidade.
Silva Rodrigues estava no Embraer 190, avião da Presidência, que não era da comitiva presidencial.

De acordo com o vice-presidente e presidente em exercício Hamilton Mourão, ele era comissário de bordo.

– Quando tem essa viagem tem esse pessoal que fica no meio do caminho e quando o presidente voltasse do Japão essa tripulação embarcaria no avião dele.

Mais tarde, Mourão desmentiu a informação de que o sargento embarccaria no voo com Bolsonaro, disse que foi informado pelo GSI que “ele estava apenas na equipe de apoio, ele não estaria, em momento algum, na aeronave com o Presidente.

Ele explicou que o avião não é o presidencial, e sim conhecido como “voo da bomba”.

– Como que funciona? Esse avião decola um pouco antes, ele faz pra ver se tá tudo ok e quando desce ele é lacrado. Só é aberto quando o presidente está pra embarcar e a equipe dele.

Mourão classificou o suspeito como “mula qualificada”.

– Quando tem essa viagem tem esse pessoal que fica no meio do caminho e quando o presidente voltasse do Japão essa tripulação embarcaria no avião dele.

Mais tarde, Mourão desmentiu a informação de que o sargento embarccaria no voo com Bolsonaro, disse que foi informado pelo GSI que “ele estava apenas na equipe de apoio, ele não estaria, em momento algum, na aeronave com o Presidente.

Ele explicou que o avião não é o presidencial, e sim conhecido como “voo da bomba”.

– Como que funciona? Esse avião decola um pouco antes, ele faz pra ver se tá tudo ok e quando desce ele é lacrado. Só é aberto quando o presidente está pra embarcar e a equipe dele.

Mourão classificou o suspeito como “mula qualificada”.

– Agora é investigação. Pela quantidade de droga que o cara tava levando, ele não comprou na esquina. Ele tava trabalhando como mula e mula qualificada.

A FAB divulgou a seguinte nota oficial no final da tarde:

“O militar detido no aeroporto de Sevilha, na Espanha, nessa terça-feira (25), por suposto envolvimento no transporte de entorpecentes, é Sargento da Aeronáutica que exerce a função de comissário de bordo em uma aeronave militar VC-2 Embraer 190.

Esclarecemos que o sargento partiu do Brasil em missão de apoio à viagem presidencial, fazendo parte apenas da tripulação que ficaria em Sevilha. Assim, o militar em questão não integraria, em nenhum momento, a tripulação da aeronave presidencial, uma vez que o retorno da aeronave que transporta o Presidente da República não passará por Sevilha, mas por Seattle, Estados Unidos.

O militar encontra-se preso à disposição das autoridades espanholas. O Comando da Aeronáutica instaurou Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar todas as circunstâncias do caso.

Medidas de prevenção a esse tipo de ilícito são adotadas regularmente. Em vista do ocorrido, essas medidas serão reforçadas.

O Comando da Aeronáutica reitera que repudia atos dessa natureza, que dá prioridade para a elucidação do caso e aplicação dos regulamentos cabíveis, bem como colabora com as autoridades.”