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Beltrame vira alvo de ação sobre compra de armas

O ex-secretário de Segurança José Mariano Beltrame virou alvo de uma investigação da Delegacia Especial de Crimes Contra a Fazenda (Delfaz) sobre uma compra milionária de armas e equipamentos para as polícias Civil e Militar. Por causa da ação, Beltrame foi intimado a prestar esclarecimentos na tarde desta quarta-feira, na Delfaz, na Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte do Rio. O depoimento está marcado para às 14h.
O Ministério Público estadual (MPRJ) e a Polícia Civil identificaram irregularidades no contrato firmado para a licitação, na época em que Beltrame era secretário de Sérgio Cabral (2007 a 2014).
De acordo com apuração , em 2008, Beltrame autorizou a compra de cerca de 1.500 carabinas Taurus FAMAE CT-30. O armamento foi empregado em larga escala substituindo a utilização de fuzis nos batalhões da Polícia Militar. As armas foram usadas na ocupação do Complexo do Alemão, em junho de 2007.

Uma fonte da Polícia Civil, que está na apuração do caso,  afirmou que a princípio “não haveria irregularidades, fraudes ou desvios de verbas nesse contrato firmado pela Secretaria de Segurança”.

Ainda segundo essa fonte, o objetivo do inquérito — instaurado neste ano — é apurar os problemas apresentados pelas armas compradas na gestão do ex-secretário e se esses equipamentos eram inadequados. Ou seja, o inquérito na Delfaz é para apurar a parte técnica das armas e os problemas que elas causaram”.

“Todos os agentes públicos que participaram desta licitação serão ouvidos. O Beltrame será ouvido porque ele era secretário à época”, disse uma pessoa ligada à investigação.

 
Em 2016, o então secretário de Segurança disse que sempre se sentiu incomodado ao ver canos de fuzis para fora de janelas de carros da Polícia Militar. A troca, que foi anunciada em 2008, tinha como objetivo principal diminuir os riscos de morte por bala perdida.A carabina é considerada um equipamento de porte intermediário. Ou seja, é mais potente que uma pistola, porém menos letal que um fuzil. Na primeira leva, a PM entregou mil carabinas aos batalhões.

“A troca do armamento é um projeto que iniciamos em 2008. Não há necessidade de uso de fuzil em algumas áreas do Rio. Após um longo processo, estamos conseguindo proporcionar mais esse legado”, disse Beltrame, em agosto de 2016.