As investigações começaram no ano passado, quando, em uma operação a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), foi apreendido um caderno de Ronaldo com anotações no Complexo da Penha. Nele, havia informações sobre o planejamento do crime contra Betinho.
De acordo com a Polícia Civil, durante as investigações, ficou claro que a organização criminosa criada por Dedinho comprova a existência de um problema antigo na Baixada Fluminense, onde matadores de aluguel organizam escritórios do crime para neutralizar rivais políticos.
O advogado de defesa de Dedinho, Odair Lima, disse que a investigação da Polícia Civil não tem “nexo”.
“A comunidade sabe que ele é da paz e atuante e todos da cidade gostam dele. Ele é candidato a prefeito de Nilópolis e (a partir de agora) haverá denúncias falsas. São denúncias falsas que não existem e não há provas. Ele não mata nem uma barata. Desafeto político todos têm, mas não há nada de fato. Quando você trabalha para o povo você tem desafetos”.
Já Antônio Carlos de Freitas, advogado de defesa do vereador, diz que o fato tem relação apenas com “uma briga política”.
“O vereador sequer foi citado pelos fatos que foram narrados. Existe (no caderno apreendido) um ‘D’ que não sabe se é ele. Aí acaba gerando esse ódio que se tem vivido. Ele prestou esclarecimentos e não se negou a falar. Essa é uma prisão temporária (de 30 dias) que faz parte de inquérito. Ele foi preso para ser ouvido e não preventivamente. Ele colaborou. Isso não significa que seja ele o mandante. Ele nem conhece essa pessoa (que seria o mandante do crime). Isso é uma briga política. Ele, mesmo, em seu depoimento diz isso. Provavelmente é a oposição (que está criando). Ele não tem rixa com o vereador (Roberto de Barros). Ele até o apoiou quando ele lançou-se suplente ao Senado. Quando você quer mudar o sistema você sofre ataques. É preciso avaliar os fatos. No curso do processo vamos provar que ele não tem ligação com o crime. Não tem nada que prove. Hoje, vamos analisar as medidas processuais a serem tomadas para sua soltura”, defende.
O presidente da Câmara de Nilópolis já foi investigado em uma ação do Tribunal de Contas do Estado (TCE) por suspeita de desvios do dinheiro público em farras de viagens de parlamentares para fazer cursos pelo país. Em 2015, o tribunal determinou que ele apresentasse documentação que comprovasse os gastos ou devolvesse o equivalente a R$ 7,6 milhões aos cofres públicos.
Os técnicos do TCE ressaltam ainda que a Câmara foi inundada, por coincidência, em 10 de novembro de 2014, sete dias depois de ser anunciada a investigação pelo Tribunal e documentos foram destruídos.
