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Estudantes e professores do Rio protestam contra cortes na educação

Manifestantes se reuniram no Centro do Rio desde o início da tarde até a noite desta quarta-feira (15) em protesto contra o bloqueio de recursos para a educação anunciado pelo Ministério da Educação (MEC).

Sob chuva, diferentes grupos – na maior parte formados por estudantes, professores, sindicalistas e representantes de movimentos sociais – saíram de vários pontos do Grande Rio e foram se encontrando na Candelária.

Por volta das 17h30, os manifestantes iniciaram uma caminhada pacífica pela Avenida Presidente Vargas, sentido Zona Norte, causando alterações no tráfego . Pouco antes das 19h, o protesto chegou à Central do Brasil. De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) do Rio, que participa da organização do protesto, cerca de 150 mil pessoas participaram. A PM não divulgou estimativa de público.

Às 19h35, quando os manifestantes se dispersavam na Central do Brasil, e os organizadores já haviam anunciado o fim do ato no carro de som, houve confusão, e a PM lançou bombas de efeito moral, provocando correria. Um ônibus foi queimado na Avenida Presidente Vargas .

O ato uniu alunos universitários e de Ensino Médio, pais, professores, entre outros. Cartazes com dizeres como “Educação não é gasto, é investimento” e outros com palavras contra o presidente Jair Bolsonaro foram exibidos.

Nos Estados Unidos, o presidente se manifestou dizendo que não gostaria de contingenciar verbas, mas que isso é necessário. Declarou também que os manifestantes são “uns idiotas úteis, uns imbecis”.

Outras cidades do estado tiveram protesto: Duque de Caxias, Itaguaí, Niterói e Nova Iguaçu, na Região Metropolitana; Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na Região Serrana; Angra dos Reis, na Costa Verde; Cabo Frio, Macaé e Maricá, na Região dos Lagos; Valença e Volta Redonda, no Sul Fluminense; Campos, no Norte Fluminense.

O Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou por volta das 17h30 que a cidade seguia em estágio de atenção devido à manifestação no Centro. O município entrou nesse estágio às 22h55 de terça-feira (14) por causa do avanço de uma frente fria, que provocou chuva, ventos e raios. A chuva já perdeu força, mas ainda há previsão para as próximas horas.

Antes do grande ato no centro, um grupo protestou à tarde em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual.

Universidades e escolas do Riosuspenderam as atividades nesta quarta-feira (15) para protestar.

No início da manhã, não houve movimentação em colégios tradicionais, como o Pedro II. A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Estadual da Zona Oeste (Uezo) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) estão entre as que confirmaram paralisação.

Manifestantes protestaram também, pela manhã, no Hospital Universitário Clementino Fraga (UFRJ), no Fundão. Representantes do sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ, estudantes, representantes da UFF e apoio de outros sindicatos, faziam um ato contra o bloqueio de verbas das instituições.

O sindicato dos professores (Sepe) decidiu paralisar as atividades nas principais instituições públicas de ensino do estado. Algumas instituições particulares como os colégios Q.I, Corcovado, Santo Agostinho, Escola Parque, São Vicente, Andrews, Zaccaria, Pio XII, João Lyra Filho e Liceu Franco Brasileiro aderiram ao movimento.

Em abril, o Ministério da Educação divulgou quetodas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.  De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas.

O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir.