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MPF denuncia general reformado por tortura na ditadura

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF/RJ) denunciou o general reformado Ricardo Fayad pelas torturas praticadas contra o militante político Espedito de Freitas, no Destacamento de Operações de Informações (DOI) do I Exército em novembro de 1970.

Os procuradores sustentam  que o crime foi cometido no contexto de um ataque sistemático e generalizado contra a população promovido pelo governo militar e que por isso não está coberto pela Lei de Anistia.

De acordo com MPF, Espedito de Freitas foi sequestrada por agentes do DOI próximo à sua casa e conduzido encapuzada, para o Batalhão de Polícia do Exército que fica na Tijuca, zona norte do Rio.

Lá foi  colocado em um pau-de-arara e foi torturado com choques elétricos e queimaduras de cigarro. A  vítima encontrou Ricardo Fayad, após a primeira sessão de tortura e o general , que é médico, ordenou que ele recebesse uma injeção para suportar novas agressões.

O general foi intimado a depor, mas preferiu ficar em silêncio. Este é a décima primeira denúncia feita pelo PMF do Rio  contra torturadores e outros agentes da ditadura militar.

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade descreveu a presença de diversos médicos e enfermeiros militares nas câmaras de tortura e ao invés de tratar os ferimentos dos presos  aplicavam apenas tranquilizantes e paliativos, além de estimulantes para evitar desmaios e relaxantes musculares para que as vítimas ficassem sensíveis aos golpes.

Essas pessoas também tinham a função de avaliar os limites da resistência dos presos à tortura e ajudar a mantê-los em um estado no qual pudessem continuar a ser interrogados.

Por causa da sua participação no regime militar, Ricardo Fayad teve seu registro profissional cassado em 1994, mas a decisão do Conselho Regional Medicina do Rio de Janeiro foi anulada judicialmente, mas ainda há recurso pendente.