
O deputado estadual Jorge Picciani (PMDB), identificado como “Platina” e “Satélite” no esquema investigado pela Operação Cadeia Velha, recebeu mais de R$ 83 milhões em propina da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) entre 2010 e 2015, afirmam os procuradores. Picciani nega as acusações.
A operação foi deflagrada nesta terça-feira (14), a partir da delação do doleiro Álvaro José Novis sobre o esquema de corrupção no setor de transportes do Rio.
Novis contou que “o dinheiro era recolhido nas garagens de todas as empresas de ônibus filiadas à Fetranspor, pela transportadora de valores, onde ficava custodiado para fazer os pagamentos aos políticos”.
Os investigadores dizem que, mesmo após o início da operação da Lava Jato, os deputados estaduais Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo, todos do PMDB e apontados como trio de corruptos pelos procuradores, deram seguimento às praticas criminosas, mudando apenas a logística de entrega da propina.
Segundo Novis, “o dinheiro era recolhido nas garagens de todas as empresas de ônibus filiadas à Fetranspor, pela transportadora de valores, onde ficava custodiado para fazer os pagamentos aos políticos”. Em contrapartida, as empresas receberiam “excessivos incentivos fiscais”, de acordo com a PF.
Ainda de acordo com os investigadores, o excesso de incentivos fiscais fez com que o estado deixasse de receber mais de R$ 138 bilhões, o que ajudou a criar um colapso na economia do Rio de Janeiro.
Ao todo, nove pessoas foram presas hoje na operação Cadeia Velha, suspeitas de participar de um esquema de corrupção na Alerj.
Lélis Teixeira, ex-presidente da Fetranspor, e o empresário Jacob Barata Filho voltaram a ser presos. Eles já tinham sido presos pela Lava Jato em julho. A Justiça também decretou a prisão de José Carlos Lavouras, mas ele está em Portugal.
Três deputados do PMDB foram conduzidos coercitivamente pra prestar depoimento na polícia federal: Picciani, que é presidente da Alerj, e os deputados Paulo Melo e Edson Albertassi. A mulher de Albertassi, Alice Brizola Albertassi, também foi conduzida.
edidos de prisão preventiva contra os três deputados, que têm foro privilegiado, serão analisados na quinta-feira (16) pelo TRF-2.
Outro preso foi um dos filhos de Picciani, Felipe Picciani, suspeito de atuar no esquema lavando dinheiro.