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Polícia Civil prende envolvidos no crime Baleia Azul

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Policiais civis fizeram  nesta terça-feira (18) uma operação para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra suspeitos de envolvimento com o jogo Baleia Azul. Os mandados expedidos pela Justiça estão sendo cumpridos em 20 municípios de nove estados brasileiros, entre eles o Rio de Janeiro, segundo a ‘Agência Brasil’.

A operação, chamada Aquarius, está sendo coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática da Polícia Civil fluminense.

O jogo Baleia Azul é praticado em comunidades fechadas de redes sociais como Facebook e Whatsapp e instiga os participantes, em maioria adolescentes, a cumprirem 50 tarefas, sendo que a última delas é o suicídio.

Entre as vítimas da Baleia Azul está uma criança de 9 anos e uma adolescente que desenhou o símbolo do jogo no púbis. Segundo a delegada, a faixa etária das vítimas é de 8 a 15 anos.

O pedreiro Matheus Moura da Silva, 23 anos, foi preso em casa, em Nilópolis, na Baixada Fluminense no Rio de Janeiro, durante a operação da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) realizada na manhã desta terça-feira para cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra os envolvidos no jogo macabro Baleia Azul, que tenta induzir virtualmente crianças e adolescentes, com idades entre 9 e 15 anos, ao suicídio por meio de 50 desafios.

Matheus Silva, de 23 anos, foi preso pelos agentes na favela Nova Era, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele confessou aos policiais que era um dos “curadores” do jogo.

Sob comando da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), são 24 mandados de busca e apreensão no Amazonas, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe, além de um mandado de prisão a ser cumprido no Rio de Janeiro.

Às 8h50, os policiais já haviam apreendido telefones celulares e computadores em todos os estados onde a ação foi realizada. Os agentes vão avaliar o material apreendido, que vai ajudar a identificar os outros curadores do Baleia Azul. São 24 equipes de agentes em 20 município de todo o país, com pelo menos 3 agentes em cada. Assim, são pelo menos 72 policiais envolvidos.

“Esse rapaz que foi preso (no RJ), nós já tínhamos materialidade suficiente para pedir a prisão dele. Ele já confessou que era curador, que era influenciado 30 vítimas, mas temos nos autos cerca de 40 vítimas”, destacou a delegada .

Na casa de Matheus a polícia apreendeu computador e celulares. As investigações mostraram que o suspeito criava comunidades para atrair as vítimas com nomes como ‘Você está triste?’ e criava testes a que os adolescente eram submetidos assim que entravam no jogo.

Segundo a delegada, muitas vítimas procuraram a DRCI, mas ainda não se sabe quantas eram ligadas a Matheus. Além de confessar o aliciamento de menores, Matheus disse que queria ganhar o posto de “curador” — como são chamados os aliciadores da Baleia Azul — e que há cinco “curadores” agindo no Rio de Janeiro. “Vamos analisar o material apreendido em todos os estados, pois podem surgir novas vítimas e curadores”, disse a titular da DRCI.

As investigações começaram em janeiro, antes que alguma vítima prestasse queixa. Investigadores se infiltraram em comunidades suspeitas e identificaram Matheus.

“Em depoimento, a criança de 9 anos disse que participou do jogo porque queria ver os anjinhos.Temos que entender o que os filhos estão fazendo. Por muitas vezes não entender preferimos que fiquem na Internet. Na maioria dos casos as vítimas estavam em depressão e isso é um problema social que se não tratarmos agora vai piorar”, disse a delegada.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Alexandre Abrahão, da 1ª Vara Criminal, e o objetivo é identificar e prender supostos “curadores” do jogo, que chegou a causar ferimentos em vítimas no Rio e tem ligação suspeita com casos no Mato Grosso e na Paraíba. Algumas vítimas, ao tentarem deixar o jogo, são ameaçadas por essas pessoas.

Segundo os responsáveis pela investigação, o trabalho foi uma corrida contra o tempo para preservar a vida dos jovens envolvidos.

“Algumas vítimas estavam muito marcadas quando nós as encontramos”, explicou a delegada.

As recomendações para as famílias são: monitorar o uso da internet, frequentar as redes sociais dos filhos, observar comportamentos estranhos e, sobretudo, conversar e conscientizar os adolescentes a respeito das consequências de práticas que nada têm de brincadeira. Atenção redobrada com os jovens que apresentem tendência a depressão, pois eles costumam ser especialmente atraídos por jogos como o da Baleia Azul.

Também as escolas devem colocar o assunto em pauta e incorporar no currículo, cada vez mais, a educação para a valorização da vida, o respeito pela vida dos outros e o uso consciente das mídias e tecnologias.