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Le Monde denuncia possível compra de votos para Rio sediar Olimpíada

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O jornal francês Le Monde noticiou hoje (3) que a justiça francesa encontrou elementos concretos que apontam para corrupção na eleição do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Segundo o periódico, um empresário brasileiro, próximo ao ex-governador Sérgio Cabral e que teve contratos com o estado do Rio, depositou ao menos US$ 1,5 milhão para um dos filhos do então presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo, Lamine Diack, três dias antes da votação para cidade-sede, em 2009.

O Rio foi eleito em uma disputa com Chicago, Tóquio e Madri, cidade que chegou à final com a capital fluminense. O Rio venceu com 66 votos, contra 32 da capital espanhola. O diretor de Comunicação da Rio 2016, Mário Andrada, afirmou que a eleição da “Cidade Maravilhosa” foi limpa. “O resultado final mostra uma larga diferença de votos e anula essa hipótese de compra de votos. A gente não tem a menor dúvida de que o Rio ganhou de forma limpa e justa”, disse.

O jornal recapitula todas as votações que levaram o Rio à liderança na corrida pela sede. Madri era a favorita no início do processo, mas, no terceiro turno da eleição, após a eliminação de Tóquio, a capital fluminense bateu a concorrente espanhola por 66 votos contra 32.

Andrada disse que o comitê organizador dos Jogos Rio 2016 não foi procurado pelos investigadores franceses nenhuma vez, e que todos os documentos estão disponíveis para a apuração.

Em nota, o Comitê Olímpico Internacional (COI) também se posicionou sobre a reportagem do Le Monde. O COI disse ser parte no processo que corre na justiça francesa e afirmou que está comprometido em esclarecer a situação.

“Essa cooperação já levou ao fato de que o Sr. Lamine Diack, que era membro honorário do COI, não ocupa nenhuma função (no órgão) desde novembro de 2015. O COI vai entrar em contato com as autoridades judiciais francesas novamente para receber as informações nas quais a reportagem do Le Monde parece se basear”, disse o comitê.

Documentos transmitidos pelo Fisco americano à justiça francesa mostraram que no dia 29 de setembro de 2009, três dias antes do voto crucial em Copenhague, a empresa Matlock Capital Group transferiu, de Miami, US$ 1,5 milhão de dólares à sociedade Pamozi Consulting, de Papa Massata Diack, em Dakar, no Senegal. No mesmo período, uma transferência de US$ 500 mil, também proveniente de Matlock Capital Group, foi efetuada para uma conta de Diack na Rússia.

Le Monde escreve que os investigadores puderam estabelecer que a Matlock Capital Group, holding nas Ilhas Virgens britânicas, gerenciava negócios de Arthur Cesar de Menezes Soares Filho. O jornal salienta que o empresário possui residência em Miami, de onde foram feitas as transferências da Matlock Capital Group.

Proprietário na época do Grupo Facility, que vendeu em 2014, o bilionário brasileiro tinha “excelentes relações”, segundo Le Monde, com Sérgio Cabral, governador do Rio de 2007 a 2014, ressalta o jornal. “Arthur Soares e Sérgio Cabral se conhecem bem: os dois homens tinham o hábito de se hospedar em suas luxuosas vilas de Mangaratiba, cidade balneária no oeste do Rio”, escreve Le Monde, reiterando que ambos estão na mira da justiça brasileira e que Cabral foi preso em novembro de 2016 pela operação Lava Jato.

 

(Fonte Agência Brasil