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Governo de SP oferece R$ 50 mil por informação de assassinos de ambulante

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A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo vai oferecer uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem à prisão dos suspeitos da morte de um vendedor ambulante na noite de Natal (dia 25), na Estação Pedro II, no centro da capital paulista. Segundo a secretaria, a resolução será publicada no Diário Oficial de amanhã (28).

A Justiça aceitou o pedido de prisão temporária, feito pela polícia, dos primos Ricardo Martins do Nascimento, de 21 anos, e Alípio Rogério Belo dos Santos, de 26, suspeitos da morte de Luiz Carlos Ruas, de 54 anos. Os agressores foram reconhecidos por meio de imagens de segurança do Metrô. Havia a expectativa de que eles se entregariam à polícia hoje, mas isso não ocorreu.

Ruas foi espancado e morto, segundo a polícia, por volta das 22h25 de domingo. Segundo testemunhas, o ambulante vendia salgados e refrigerantes do lado de fora da estação quando dois homens se desentenderam com ele e passaram a agredi-lo. O vendedor tentou correr até a bilheteria da estação, mas foi atingido por vários golpes e caiu no local. Ele foi socorrido e levado a um hospital por agentes de segurança do Metrô, mas não resistiu aos ferimentos.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom). O ambulante, segundo testemunhas, foi espancado e morto após defender moradores de rua, um deles uma travesti, que foram agredidos pelos dois suspeitos.

Uma manifestação foi realizada na tarde de hoje (27) na Estação Pedro II em homenagem a Ruas e outra está agendada para a tarde da próxima sexta-feira (30), no mesmo local.

As informações sobre o paradeiro dos suspeitos podem ser registradas por meio do endereço eletrônico www.webdenuncia.org.br. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, não há necessidade de fazer cadastro ou de que o autor da denúncia se identifique.

Após concluída a denúncia, a pessoa terá acesso, no site, a uma seção para acompanhar o resultado das informações fornecidas e checar se receberá a recompensa. Para receber a recompensa, o site fornecerá, na seção de acompanhamento, um número de cartão bancário virtual com o qual o denunciante poderá fazer o resgate total ou em parcelas do valor em qualquer caixa eletrônico do Banco do Brasil, sem a necessidade de que ele se identifique.

Segurança

O Metrô confirmou hoje, por meio de nota à imprensa, que não havia seguranças na estação no momento do crime. Segundo a nota, no momento em que Ruas foi espancado e morto dentro da estação, agentes de segurança faziam rondas nas estações vizinhas e foram acionados pelo Centro de Controle da Segurança. “O deslocamento das equipes levou seis minutos, momento em que a vítima começou a receber os primeiros-socorros. Os criminosos, porém, já haviam fugido”, informou o Metrô.

Ato público pede justiça por assassinato de vendedor ambulante no metrô paulista

O ato em apoio ao ambulante morto na noite de Natal (25), na Estação Dom Pedro II, do Metrô de São Paulo, reuniu dezenas de pessoas na tarde desta terça-feira (27), na entrada da estação, para protestar contra a falta de segurança e a violência no transporte metropolitano da capital paulista. Segurando faixas e velas, os participantes pediam justiça pela morte de Luiz Carlos Ruas, agredido após defender um morador de rua homossexual, que teria se desentendido com os dois agressores.

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Organizado em uma página do Facebook, o ato Justiça #mortenometro contou com a participação de ativistas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), da Pastoral do Povo de Rua e do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. Organizador do ato, o vendedor Bruno Diego Alves disse que um dos objetivos do evento é alertar sobre a necessidade de aumentar a segurança nas estações.

“Que fique o alerta para o metrô coloque mais seguranças dentro das estações. Tem gente morrendo aqui, e isso é inadmissível”, lamentou. Para ele o ato mostrou que as pessoas não toleram mais os crimes praticados nas estações. “O ato teve essa repercussão, e isso mostra que as pessoas ainda ficam indignadas, que a morte dentro do metrô não se torne algo comum. Aliás em nenhum local”, acrescentou.

O diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Marcos Freire, disse que os trabalhadores têm dificuldades em atender a todos os usuários pela falta de pessoal. “Temos um déficit de mais de 600 funcionários para atender vocês no transporte público. Então, estamos aqui para juntar nessa manifestação, para que este tipo de crimes de ódio não aconteçam mais no espaço do metrô”, afirmou.

Representando a Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo, o padre Júlio Lancelotti esteve no ato em solidariedade ao ambulante morto. “É clara a questão homofóbica nesse assassinato, a nossa pressão é muito importante”, defende o padre, Conhecido defensor dos moradores de rua, ele pediu aos presentes um minuto de silêncio para uma prece, “cada um dentro da sua fé, da sua forma de pensar, em respeito às pessoas atingidas – especialmente ao Luiz. A nossa oração é para que não desanimemos”, salientou.

Entre os participantes, a garçonete Elisete Oliveira acha que o crime não pode ficar impune. Para ela, “foi uma injustiça o que fizeram os agressores e, afinal, cadê os guardas que não estavam aqui? Nunca vi uma viatura aqui. Hoje, passei e já tinha uma”.

Colaboradora da Pastoral do Povo da Rua, Ana Maria da Silva Alexandre acredita que o ato serve para que crimes de ódio não se tornem comuns. “Este ato é importante para não deixar passar em branco, está ficando comum a violência”. Segundo ela, a violência contra transsexuais e homossexuais é muito grande no país, e tem que acabar. “A gente tem que ter paz, temos que respeitar a vida”, defende.

 

(Fonte Agência Brasil)