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Justiça do Rio afasta conselheiros tutelares por negociar crianças

Dois conselheiros tutelares de Nilópolis, na Baixada Fluminense, foram afastados do cargo pela Justiça suspeitos de comandar um esquema fraudulento de negociação financeira de crianças abrigadas. O Ministério Público pede que ambos percam a função pública.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, os conselheiros forjaram o abrigo irregular de uma criança para persuadir a família dela a arcar com o pagamento de advogado para reaver a guarda da mesma.

Segundo o processo, a mãe biológica da criança a entregou aos cuidados de uma outra mulher alegando que não teria condições de arcar com o seu sustento. Pouco depois, a mãe se arrependeu e pediu ajuda ao irmão para reaver a criança.

A família, então, procurou o Conselho Tutelar de Nilópolis, onde foi atendida por um conselheiro. Segundo a Justiça, o conselheiro, ao invés de intermediar a devolução da criança à mãe biológica, decidiu abrigá-la, sem que houvesse base para tal decisão – a criança não se encontrava em situação de risco.

Em seguida, uma conselheira, que seria ex-vereadora do município, indicou um advogado à família, afirmando que ele teria “contato muito forte” dentro do abrigo e que conseguiria reaver a guarda da criança. Para o trabalho dele, a família deveria desembolsar R$ 10 mil.

Ainda segundo a Justiça, para convencer a família a contratar o advogado, a conselheira alegou, falsamente, que se a criança ficasse por mais 24 horas no abrigo ela seria encaminhada para adoção, e que recorrer ao Ministério Público iria prejudicar ainda mais o resgate da guarda.

Pressionada, a família fez o pagamento do valor referente à entrada do cobrado pelo advogado. A criança, então, foi liberada do abrigo, mas entregue à mulher a quem a mãe havia, anteriormente, confiado a guarda, e não ao tio, que assinou a documentação no abrigo. Foi então que a família decidiu recorrer ao Ministério Público, dando início às investigações.

Segundo o TJRJ, durante o processo descobriu-se que o advogado é companheiro da conselheira. O Ministério Público, então, denunciou os conselheiros.

Para a juíza Viviane Tovar de Mattos, titular da 2ª Vara de Família, da Juventude e do Idoso de Nilópolis que determinou o afastamento dos dois conselheiros, o caso é “extrema gravidade“, uma vez que demonstra haver um esquema de negociação de crianças pelo Conselho Tutelar.