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Ex-deputado Geraldo Moreira irá a júri popular por mandar matar médico

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O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, do 3° Tribunal do Júri da Capital, decidiu nesta segunda-feira, dia 23, que o ex-deputado estadual Geraldo Moreira da Silva será submetido a julgamento pelo júri popular. O ex-parlamentar é acusado de ser o mandante do assassinato do médico Carlos Alberto Peres Miranda, namorado da ex-mulher dele, Leila Mayworm Costa. O crime aconteceu no dia 14 de março de 2008, na Rua Andrade Neves, Tijuca, Zona Norte. Segundo a denúncia oferecida pela Ministério Público, Geraldo acreditava que a vítima exercia forte influência sobre Leila para que ela não aceitasse a partilha de bens do ex-casal.

Na sentença de pronúncia, o magistrado verificou que os depoimentos das testemunhas do processo eram contraditórios. “O confronto de versões abordadas e a possibilidade de acolhimento de qualquer uma delas torna o conteúdo fático colhido neste caderno probatório próprio para o corpo de jurados”, justificou o juiz Alexandre Abrahão.

Ainda segundo os autos do processo, o ex-deputado teria ordenado ao policial militar Marcelo Brasil Gonçalves que contratasse dois executores: Leandro Rosa da Silva e Ulisses Matheus Costa. Eles emparelharam a motocicleta com o carro da vítima, sacaram uma pistola e fizeram os disparos. Já os acusados Ailton Silva Diniz e Ivan Luiz Bayer participaram do crime planejando o delito, fornecendo a arma e intermediando a contratação dos assassinos. A recompensa seria de R$ 10 mil para Ulisses e de R$ 5 mil para Leandro.

O processo contra Geraldo foi desmembrado e tramitava no Órgão Especial do TJ, pois ele, como deputado, tinha foro privilegiado. Com o fim de seu mandato, a ação voltou a correr no Tribunal do Júri. A defesa de Geraldo ainda pode recorrer da decisão de pronúncia.

De acordo com a denúncia do MP, Moreira teria decidido matar o médico Carlos Alberto Peres Miranda namorado de sua ex-mulher após descobrir que ele estava orientando a ex-mulher do parlamentar Leila Mayworm Costa, a não ceder na partilha de bens. Com a ajuda de uma testemunha, a polícia descobriu a amizade entre o deputado e o PM Marcelo Brasil. A testemunha revelou ter feito, a pedido do deputado, um levantamento da região da Tijuca onde o médico foi morto.

Em 2009, quatro acusados foram condenados pela morte de Carlos Alberto.Leandro Rosa da Silva e Ulisses Matheus Costa, que executaram o crime, foram condenados em 12 de fevereiro a sete anos de prisão, cada um. Leandro conduzia a moto que emparelhou com o Peugeot 306 que a vítima dirigia, e Ulisses desferiu os tiros de pistola que mataram o médico. Os dois foram presos momentos após o crime, por policiais do 6º BPM (Tijuca), que os perseguiram pelas ruas do bairro. Na fuga, Leandro bateu com a moto num carro e ainda atropelou uma mulher na Praça Saens Peña. Os presos contaram à polícia que haviam sido contratados por PMs para matar o médico, a mando de um empresário da Baixada.

Já os PMs Marcelo Brasil Gonçalves e Ivan Luiz Bayer, do 39º BPM (Belford Roxo), acusados pelo Ministério Público de contratar os executores, foram julgados em 29 de maio de 2009. O primeiro foi condenado a 16 anos de prisão, e Ivan, a 15 anos de prisão.