
Após ser absolvida em um processo da 35ª Vara Criminal por associação ao tráfico de drogas, assim como o seu companheiro Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, Danúbia de Souza Rangel foi colocada em liberdade, na tarde desta terça-feira. As informações são da Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap). O Tribunal de Justiça ainda não se pronunciou sobre o caso.
Danúbia era chamada de ‘primeira-dama’ ou ‘xerifa’ da Rocinha. Durante a sua primeira prisão, em 2011, ela exibia aparência bem mais discreta do que mostrava antes da pacificação na Rocinha. De cabelos loiros compridos e mal tratados, presos por um coque em um boné azul, ela vestia calça jeans colada, camisa xadrez de mangas longas, sandálias Havaianas brancas, sem ostentar qualquer jóia.
Na sentença, publicada no último dia 2, Nem da Rocinha, preso desde 2011, e Danúbia, desde 2014, foram absolvidos por associação ao tráfico de drogas. A denúncia apontava que Nem ainda chefiava o tráfico mesmo estando preso em um presídio de segurança máxima no Mato Grosso do Sul, enquanto sua mulher estaria recebendo informações durante a visita traficante e repassando para os seus comparsas na comunidade.
Nem foi condenado em 2013 a 20 anos de prisão por tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. Ele foi réu em oito processos criminais que tramitam no TJ, sendo condenado em três deles, totalizando 48 anos e 8 meses de prisão.
Em junho do ano passado, o traficante já havia sido absolvido em outro processo, no qual ele era apontado como chefe do tráfico na Cruzada São Sebastião, no Leblon, também por falta de provas. Na época, a juíza Simone de Maria Ferraz ressaltou as anotações criminais do chefe do tráfico na Rocinha.
“Tais anotações revelam o que de muito se sabe. O réu é um dos líderes de organização criminosa, responsável pela distribuição e mercancia de drogas na cidade, em especial, junto à comunidade da Rocinha. Mas isso não serve para que se alcance um decreto condenatório, sob pena de se dar azo ao chamado Direito Penal do Autor”, explicou a magistrada na ocasião.