
A Prefeitura do Rio de Janeiro publicou, no Diário Oficial do Município,nesta terça-feira (19), o aviso de licitação para gestão do Jardim Zoológico do Rio. O valor da concessão é de R$ 66,6 milhões e tem prazo de dois anos. A iniciativa será colocada em prática após o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) determinar o fechamento do local, no último dia 14, após ser constatada a falta de licenças, como a de operação. O instituto também identificou a autorização de manejo precário, que está vencida, e problemas estruturais nos recintos dos animais, como o de aves, o de reprodução e o corredor de fauna.
O novo modelo administrativo prevê a transformação do ambiente de 120 mil metros quadrados num grande parque sustentável a partir da criação de áreas temáticas destinadas ao convívio mútuo de animais, reproduzindo o ambiente das savanas, sem o confinamento de recintos exclusivos. O projeto indica também espaço para lojas, restaurantes, teleférico e cinema 4D. Neste tipo de concessão, não há aporte de recursos municipais.
De acordo com o subsecretário de Projetos Estruturantes da Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público e Privadas (Secpar), Gustavo Guerrante, “há seis meses, a prefeitura estuda a concessão do Zoológico com base num projeto de engenharia muito amplo. O primeiro passo é resolver as questões mais urgentes, como o espaço destinado à quarentena, a melhoria do hospital veterinário, o manejo de resíduo sólido e o uso da água”.
“Depois, a ideia é mudar completamente as áreas de visitação e dos animais. O enclausuramento inverso, por exemplo, permite que o visitante passeie dentro do ambiente natural dos animais, protegido por vidros de alta resistência. O passeio vai ganhar atmosfera de um safari”, acrescentou.
A empresa vencedora da licitação terá de cumprir as exigências emergenciais previstas do contrato. Estão previstas a recuperação e aproveitamento do prédio histórico; a reforma do hospital veterinário; a criação de um sistema que utilize pelo menos 60% de água de reuso; a construção do espaço para quarentena dos animais; e a construção de estação de tratamento de esgoto, da passarela de observação sobre a ala dos primatas, e de espaço para a prática de arvorismo e educação ambiental.
O novo Zoológico terá uma tirolesa que sobrevoará o habitat dos jacarés. Com 60 metros de extensão e 14 de altura, a atração deverá ser uma das mais procuradas pelos visitantes, que poderão caminhar entre os felinos mais ferozes do planeta. Um vidro de alta resistência vai circundar as áreas de visitação, permitindo maior contato com os animais e garantindo maior segurança ao público.
Segundo o projeto, espaços vão reproduzir o ambiente de savana, onde cervos, gnus e outros bichos de convívio amigável poderão interagir e ocupar o mesmo ambiente. Não haverá mais recintos isolados. Os animais com sinais de estresse terão disponível uma área de recuperação. O mesmo acontecerá com os resgatados em área urbana.
A Comissão Especial de Licitação informou que o recebimento dos envelopes está marcado para as 11h30 de 25 de fevereiro, na sala 512 do prédio anexo ao Centro Administrativo São Sebastião (CASS), na Cidade Nova. Os interessados podem retirar o edital e seus anexos na sala 711 do mesmo edifício, entre 10h e 16h, mediante a entrega de um pen drive para a cópia dos arquivos. Mais informações no site da Secpar.
Zoo
Fundado em 1888, na época do Império, o Jardim Zoológico do Rio é o mais antigo do país e está localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão. Possui o maior plantel de primatas brasileiros, a maior coleção de aves expostas, reproduzem-se espécies raras e ameaçadas de extinção, como o urubu rei, a arara juba e o mico leão dourado. A última grande reforma aconteceu há 22 anos.