
As fraudes no fundo de pensão dos Correios envolviam complexo esquema financeiro. Eram usadas empresas offshore em paraísos fiscais e corretoras de valores nos Estados Unidos.
Em entrevista coletiva, o delegado Milton Fornazari Jr., da Polícia Federal, deu detalhes da Operação Positus. Segundo ele, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão.
O esquema ocorreu de 2006 a 2011 e “lesou todos os contribuintes do fundo”, segundo o delegado Milton Fornazari Junior, chefe da Delegacia de Repressão a Ilícitos Financeiros da PF em São Paulo.
O principal investigado do esquema é Fabrizio Dulcetti Neves, um dos donos de dois fundos que continham mais de R$ 370 milhões em aplicações do Postalis –cerca de 5% dos ativos do fundo de pensão.
Investigadores da operação confirmaram que Neves é suspeito de fazer aplicações fraudulentas no exterior com recursos do Postalis.
Um mandado de prisão foi emitido contra ele, que está foragido. A PF levantou informações de que Neves estava morando nos Estados Unidos, mas tirou recentemente um passaporte italiano e se mudou para a Europa. Por ter o paradeiro desconhecido, o investigado foi incluído na lista de procurados pela Interpol.
As polícias americana e italiana, além da Interpol, trabalham em cooperação com a PF para prendê-lo.
Segundo a PF, mais da metade dos R$ 180 milhões que teriam sido desviados foi apropriada pelos investigados, que incluem pessoas que decidiam onde seria aplicado os recursos e também por ex-dirigentes do Postalis.
Os dois fundos que tinham o dinheiro eram geridos pela Atlântica Administradora, que tinha como responsáveis Neves, André Barbieri e Cristiano Giorgi Muller. As residências deles em São Paulo foram alvo de busca e apreensão.
Também estão os investigados Alexej Predtechensky, ex-presidente do Postalis, e o ex-diretor financeiro do fundo Adilson Florêncio da Costa.
Na operação, foram bloqueados imóveis dos investigados, visando futuro ressarcimento dos prejuízos causados aos fundos.
Os sete mandados de busca e apreensão emitidos –no Distrito Federal, em São Paulo, em Belém (PA) e em João Pessoa (PB)– visam localizar novas provas e identificar o destino dos recursos desviados. Os investigados poderão responder por crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, apropriação de recursos de fundos e lavagem de dinheiro, com penas que variam de 2 a 12 anos de prisão.
A operação chama-se Positus 1. Positus é o nome dado aos postos de correio situados ao longo dos caminhos para dar descanso a mensageiros.