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Hospital Universitário Antônio Pedro recusa internações

Em um memorando interno, o diretor do hospital resolveu suspender todas as internações eletivas por causa da falta de abastecimento de insumos para que restante do estoque seja usado só com os pacientes que já estão internados.

O hospital recebe do Fundo Nacional de Saúde R$ 2,3 milhões por mês para pagar todas as despesas e os salários de funcionários terceirizados. Mas os gastos mensais são muito maiores, segundo a direção, e somam R$ 3,7 milhões.

Esta não é a primeira crise que o Hospital Antônio Pedro enfrenta. Em 2008, quem precisou da emergência era orientado a procurar outro hospital. A direção alegava que o contrato dos funcionários temporários tinha vencido e não dava para atender.

Na época, o então ministro da Saúde, José Gomes Temporão, sugeriu que havia “alguma coisa muito errada” com a administração do Hospital Universitário Antônio Pedro. “O que eu acho que é inadmissível é um cartaz na entrada de um hospital público pedindo pra que as pessoas primeiro perguntem se podem ser atendidas. Isso é a anti-filosofia do que é um hospital público. Tem alguma coisa muito errada nesse hospital. Nós vamos ver o que é”, disse o então ministro.

Os problemas na administração continuaram. Em 2012, pacientes com câncer não conseguiam vagas para cirurgia porque o hospital não tinha funcionários suficientes. Em 2013, a UTI neo-natal fechou as portas porque estava superlotada e não tinha mais espaço, nem equipamentos, pra atender os bebês.

No início de 2015, pacientes com câncer ficaram sem quimioterapia. O hospital disse que foi por causa de um problema de energia.

O diretor do hospital disse que as contas não fecham e as dívidas só aumentam. Segundo ele, elas chegam a R$ 6 milhões.

“Eu tenho o maior respeito com o paciente do SUS. O paciente não tem onde ir. Eu tenho respeito pela Dona Maria, pelo Seu Joao, pelo Pedrinho que eu não sei quem é. Eles não têm pra onde ir. Eles nem plano tem. Não tem nada. E você vai na periferia muitas vezes ele não é atendido. A verdade é essa. Rola aqui as vezes o final de linha. Quando chega no final de linha eu estou bloqueando. Eu, sei lá. É desumano. É desumano. Não depende do diretor médico, do diretor administrativo, muito menos do reitor. Brasília tem que olhar os hospitais”, disse Tarcísio Rivello, diretor do Hospital Antônio Pedro.

O governo federal disse apenas que já repassou quase R$ 4 milhões ao hospital esse ano. Mas não falou sobre a reclamação do diretor de que o dinheiro não é suficiente, nem se há a possibilidade de aumentar esse valor ou se pretende fazer qualquer coisa pra melhorar a qualidade do atendimento no hospital.