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Vigília lembra os 22 anos da Chacina da Candelária

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Dezenas de pessoas se reuniram na noite desta quarta-feira (22) no canteiro em frente à Igreja da Candelária, no Centro do Rio, para uma vigília que se repete há mais de duas décadas. O ato é para lembrar a morte de seis adolescentes e dois jovens no crime que ficou mundialmente conhecido como Chacina da Candelária, ocorrido há 22 anos. A vigília é organizada desde de 1994 pelo Movimento Candelária Nunca Mais. “O grupo foi criado a partir da missa de sétimo dia dos meninos. Dom Eugênio Sales [então Arcebispo do Rio] fez um pedido durante a missa para que enquanto houvesse criança sendo morta pela violência que a gente não parasse de lembrar esta data. Aquilo entrou no nosso coração como um grito mesmo, e não nos calamos desde então”, conta Fátima Silva, de 50 anos, uma das fundadoras do grupo. Participam da vigília, anualmente, parentes de diversos jovens vítimas de crimes violentos, que clamam por justiça. Cartazes com fotos de jovens mortos foram espalhados na calçada e gramado. Sobre a placa em que está inscrito o nome da igreja foi pendurado um terço, feito com bolas de isopor estampadas com os nomes de crianças e adolescentes mortos. Entre os grupos ativistas estavam reunidos na Candelária nesta quarta-feira o Movimento Mães de Maio, criado em São Paulo para lutar contra a violência policial, as Mães de Acari, além de representantes de entidades que atuam em defesa dos direitos da criança e do adolescente. O principal grito na vigília deste ano foi contra a redução da maioridade penal. “Eu conheço o sistema. Eu estive com meu filho lá por mais de um ano. Eu pude ver que aquilo ali é uma prática de tortura, que não ressocializa ninguém”, afirmou Deize Carvalho, de 44 anos, que desde 2008, quando teve seu filho Andreu Luiz, de 17 anos, morto dentro de uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), participa do ato na Candelária e em outros movimentos.