O prefeito Eduardo Paes e o ministro da Saúde, Arthur Chioro, lançaram neste sábado (06/12) o Plano Municipal de Contingência contra Febre Chikungunya e Dengue, na Clínica da Família Sérgio Vieira de Mello, no Catumbi. A iniciativa marcou o Dia D de Mobilização contra o Aedes aegypti— mosquito transmissor das duas doenças — no Rio de Janeiro, município brasileiro que mais reduziu os casos de dengue em 2014: 96.3% a menos que no anterior. De janeiro ao início de dezembro deste ano foram diagnosticados 2.470 casos, contra 66.278 em 2013.
— Os índices mostram que a população está colaborando, mas o combate à dengue exige um aprendizado constante. É preciso que se torne um hábito, como escovar os dentes e tomar banho. Por isso quem mora em locais onde há risco de acúmulo de água deve ficar atento. O alerta permanece, para que esses índices continuem em queda, até que tenhamos um cenário ainda mais seguro — disse o prefeito.
Todos os seis casos de febre chikungunya até hoje notificados na cidade foram importados de pacientes infectados em viagem ao exterior. Não há registro de transmissão da doença dentro da cidade. O plano de contingência prevê ainda a qualificação da assistência através da capacitação dos profissionais da saúde para a identificação dos casos suspeitos da febre, manejo clínico, identificação de grupos de risco, notificação imediata e diagnóstico diferencial, principalmente com dengue.
Arthur Chioro reconheceu a eficiência do combate à dengue e à febre chikungunya no Rio de Janeiro, e alertou sobre a importância de ações preventivas:
— Reconhecemos a eficácia do Rio no combate à dengue, mas as ações de controle e combate do mosquito devem se antecipar aos problemas. Por isso, é importante o envolvimento do setor público e da sociedade nesse mutirão de limpeza das cidades antecedendo o período de chuvas. A dimensão da dengue e da chikungunya no próximo ano dependerá do dever de casa de cada um e do envolvimento de todos, afinal o perigo aumentou, agora temos preocupação dupla.
O Dia D foi marcado também pela realização de mutirões de limpeza urbana e atividades para alertar os profissionais de saúde ao diagnóstico correto das doenças. Medidas simples como manter fechados recipientes que podem armazenar água; limpar regularmente calhas e caixa d’água; e retirar o lixo são fundamentais para o combate ao mosquito.
Paes e o ministro acompanharam a inspeção de agentes municipais de saúde à casa da aposentada Carminda Ferreira Caetano, 86 anos, no Morro da Coroa. A aposentada disse estar alerta sobre a importância de não acumular água nas calhas e no viveiro de pássaros e manter a caixa de água sempre fechada:
— Perturbo também os vizinhos, porque a gente sabe o sofrimento que é pegar uma doença dessa, por isso faço questão de cooperar.
As ações de combate aos criadouros do mosquito são realizadas o ano inteiro pelos agentes da Prefeitura do Rio, mesmo nos meses de baixa incidência da dengue. Somente este ano, a Secretaria Municipal de Saúde já executou mais de 8,4 milhões de inspeções a imóveis, eliminando mais de um milhão de depósitos.
— O plano de combate à dengue está baseado em dois pilares: ações de rotina e de contingência, voltadas para a vigilância epidemiológica, combate ao vetor, assistência aos doentes, educação e mobilização social, comunicação e gestão — explicou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz.