
A interrupção do fornecimento de água, para manutenção da Cedae no sistema do Guandu, preocupa a população, mas alivia muita gente. Quem trabalha com a venda do precioso líquido já começou a faturar com o medo dos moradores da Região Metropolitana de ficar com as torneiras secas. É o caso das empresas que comercializam água mineral.
A partir das 8h desta quarta, a Cedae, responsável pelo abastecimento de 9 milhões de consumidores, vai interromper, por 24 horas, o fornecimento de água ao Rio e à Baixada Fluminense. Nas pontas de rede (bairros mais distantes e altos), o sistema só será normalizado após 72 horas. A parada de geração de 43 mil litros de água potável por segundo é necessária para a manutenção preventiva na Estação de Tratamento Guandu.
Nesta terça-feira, empresas como a Santa Cruz, em Água Santa, trabalhavam no limite da produção. “A procura subiu 20% nos últimos dias. Agora estamos engarrafando 60 mil litros de água mineral por dia. Tivemos que contratar mais oito funcionários urgentemente”, comentou o gerente de produção e qualidade da fábrica.
No Centro de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão, os comerciantes estocam água desde o início da semana. “Estou vendendo pelo menos 500 galões de 20 litros por dia na Feira de São Cristóvão, 150 a mais que na semana passada”, ressalta José Marinho, de 50 anos.
Em várias localidades, como na Estrada do Engenho, na altura do número 350, em Bangu, moradores já se queixavam ontem de falta d’água. Alguns conseguiram armazená-la em tonéis de plástico. “Eu e meus vizinhos vivemos penando com falta d’água.”, lamentou um morador. Ele conseguiu guardar 500 litros de água no quintal de casa, na Rua Cruz e Souza, no Encantado.
O presidente da Cedae, Wagner Victer, tranquilizou a população, garantindo que, apesar de complexa, a operação de hoje foi planejada há seis meses. Tudo para garantir o sucesso da manutenção, visando maior oferta e qualidade da água para o verão. Além disso, a empresa vai usar três mil funcionários para executar os serviços, quase quatro vezes mais que o número empregado nos mesmos serviços preventivos ano passado.
“Tudo fui muito bem planejado para que os riscos de haver possíveis falhas sejam minimizados ao extremo”, afirmou Victer, lembrando que em 24 horas mais de 100 tarefas serão executadas dentro da ETA Guandu e nas adutoras e elevatórias. Túneis que levam água para a Zona Sul e Centro também serão inspercionados.