
Justiça decretou a prisão preventiva do lutador de artes marciais Renan Menezes de Souza, acusado de estuprar uma jovem em abril deste ano. Segundo denúncia do Ministério Público, o réu, após dar uma carona para a vítima, levou-a para um local ermo e, mediante violência, praticou o crime.
O lutador foi denunciado pela vítima, que passou por exame de corpo de delito que confirmou a violência sofrida. Informações juntadas ao processo apontam ainda que Renan tentou intimidar amigos da jovem, através de telefonemas e mensagens postadas numa rede social. Há notícias também de que o caso de estupro não seria isolado, já tendo o réu feito pelo menos outras duas vítimas.
“Diante das mencionadas informações, na concepção deste magistrado, inexiste qualquer dúvida – mínima que seja – quanto à necessidade da prisão cautelar do réu”, destacou o juiz, para quem a medida visa à garantia da ordem pública e à conveniência da instrução criminal.
Segundo o juiz Marco Couto, titular da 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio,,a periculosidade de Renan,a é inquestionável, especialmente porque vem colecionando vítimas sexuais que se calam por medo de que algo ainda mais grave lhes aconteça. “Talvez acreditando que a sua condição social – classe média – lhe garanta alguma proteção jurídica, o acusado age como se pudesse fazer o que bem quisesse”, acrescentou.
O próprio perfil do lutador, segundo o juiz, recomenda a sua prisão cautelar para que se permita à vítima e às testemunhas a tranquilidade necessária para depor em juízo. Ainda de acordo com a decisão, os elementos destacados, de forma concreta, revelam que o réu pretende pressionar – o quanto puder – as pessoas que deporão em juízo, a fim de que não tenham a coragem necessária para incriminá-lo.
Renan vive em uma mansão em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A polícia esteve na residência na manhã desta terça-feira para prendê-lo, entretanto, o jovem já não estava lá. A suspeita é de que ele possa ter fugido para uma casa na Costa Verde.
— A família o escondeu, não tenho a menor dúvida. Trata-se de um rapaz de posses, que achava que ia ficar impune. Ele tinha a certeza da impunidade — declarou.
A vítima era, geralmente, conhecida de Renan. De carro, o rapaz costumava levar os amigos em casa depois da noitada, e deixava a jovem por último. Sozinha no carro, a vítima era espancada e estuprada por Renan. Os crimes aconteciam principalmente dentro do condomínio de um dos amigos dele ou, às vezes, em algum motel.
Renan chegou a publicar conteúdo machista nas redes sociais e ameaçou testemunhas do processo. Em uma das mensagens enviadas pelo Facebook, Renan convida uma delas para interrogá-lo pessoalmente e diz que “seria um privilégio”. A testemunha havia compartilhado um post denunciando o ataque a uma das vítimas.
O promotor que investigou o caso acredita que alguns dos amigos do acusado sabiam da ação e a apoiavam. Para Eduardo Fernandes, o jovem pratica os crimes há cerca de um ano. Das quatro vítimas, duas denunciaram o estupro. As outras não o fizeram por medo. O promotor acredita que o número de jovens violentadas pode aumentar.
— A polícia está fazendo buscas. Esperamos também que as demais vítimas colaborem com a investigação — disse o promotor Eduardo Fernandes.