O volume de crédito total ofertado pelos bancos para as pessoas físicas e para as empresas subiu 4,2% no primeiro semestre deste ano, atingindo o montante de R$ 2,83 trilhões em junho, informou o Banco Central nesta terça-feira (29/07). No fim do ano passado, o estoque do crédito bancário estava em R$ 2,71 trilhões.
Os números da autoridade monetária mostram desaceleração do crédito ofertado pelas instituições financeiras no primeiro semestre deste ano – em um momento no qual a economia brasileira foi afetada, em grande parte, pelo processo de alta dos juros básicos pelo Banco Central para tentar conter a inflação. A alta dos juros foi interrompida pelo BC somente no fim de maio.
“A elevação da taxa de juros têm influencia nesse processo. O ciclo de alta da política monetária [aumento dos juros] é que se espera que haja moderação na concessão do crédito”, declarou Tulio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central. Segundo ele, a contração de 3,2% no volume do crédito para veículos, no primeiro semestre deste ano, também influenciou o resultado.
Em doze meses até junho, ainda de acordo com dados oficiais, o crédito bancário subiu 11,8%, informou o BC nesta terça-feira. O crescimento é menor do que registrado nos últimos anos. Em 2010, a elevação foi de 20,6% nos empréstimos das instituições financeiras, passando para 18,8% de expansão no ano seguinte e para 16,4% em 2012. Em 2013, houve uma alta de 14,6%.
A desaceleração do crédito tem sido criticada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos últimos meses. Recentemente, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o ministro voltou a declarar que há escassez de crédito para o consumo no Brasil. No ano passado, chegou a dizer que o Brasil crescia com “duas pernas mancas”, sendo uma delas o financiamento escasso ao consumo e, a outra, a crise financeira internacional.
Liberação de recursos para os bancos
Na última sexta-feira (25), o Banco Central alterou as regras dos chamados “depósitos compulsórios” – que são os recursos que os bancos têm de manter na autoridade monetária – e também o requerimento mínimo de capital para risco de crédito das operações de varejo.
As duas medidas liberam R$ 45 bilhões para os bancos emprestarem em um momento de fraca atividade econômica. Questionado, na ocasião, se a medida não poderia estimular a inflação, que vem sendo combatida por meio da taxa básica de juros (em 11% ao ano, está no maior patamar desde o fim de 2011), o BC informou que a liberação não interfere em sua projeção de inflação para este ano.
Nesta terça-feira (29), o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, declarou que as medidas adotadas pelo BC têm “caráter predominantemente regulatório”, pois contribuem para “uma melhor alocação de capital, na medida em que contêm a expansão dos compulsórios e disponibiliza recursos para o sistema”. Segundo ele, as medidas diminuem a possibilidade de o BC reduzir novamente sua estimativa para alta do crédito bancário neste ano – atualmente em 12%.
De acordo com Tulio Maciel, do BC, as medidas anunciadas recentemente pelo Banco Central podem melhorar a concessão de crédito para veículos. “É possível que parte dos efeitos das medidas do BC atinja esse segmento. Em tese, essas medidas podem trazer benefícios não só para este segmento, mas para outras também”, declarou o chefe do Departamento Econômico da autoridade monetária.
Fonte: G1