
Os planos do governo de oferecer aos turistas que virão para a Copa aeroportos com padrão de primeiro mundo estão ameaçados. Os concessionários dos aeroportos de Guarulhos, Brasília, Viracopos e São Gonçalo do Amarante (que vai substituir o de Natal) — leiloados na primeira rodada da privatização — prometem entregar as obras. Porém, a 116 dias do evento, sistemas com tecnologia de ponta que estão sendo instalados nos terminais precisam passar por testes para eventuais ajustes e as companhias aéreas terão que transferir operações, equipamentos e pessoal para as novas áreas, cumprindo ainda etapas de treinamento e testes. Pelas regras internacionais, esse é um processo que leva, no mínimo, seis meses, dado o nível de segurança exigido, e o governo não contabilizou adequadamente essas tarefas no cronograma oficial. O novo terminal de passageiros de Guarulhos, com capacidade para 12 milhões de passageiros, tem inauguração marcada para 11 de maio. Os testes começam no fim deste mês e vão até março. Mas já está praticamente certo que não haverá tempo para implementar o dispositivo automático de despacho de bagagem, considerado um mecanismo complexo por exigir conexão estreita com os sistemas das companhias e suas parceiras internacionais. O novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante, além dos desafios inerentes à instalação de novos sistemas, tem problema na via de acesso e na torre de controle. O prazo é considerado apertado para a homologação dos equipamentos. A situação é tão crítica que o governo acionou a Aeronáutica para coordenar os serviços de navegação aérea, e o próprio concessionário corre contra o tempo para construir seu acesso, depois que o governo do estado mostrou-se incapaz de realizar a obra. Nos bastidores, já se trabalha com a ideia de adiar a transferência e manter as operações no antigo terminal de Natal na Copa. A ideia inicial era transferir as operações para São Gonçalo, que tem inauguração marcada para meados de abril. A situação é menos preocupante em Brasília, onde as obras foram mais focadas na ampliação das áreas de embarque e desembarque de passageiros. Segundo Alysson Paolinelli, executivo do consórcio Inframérica, que administra o aeroporto da capital do país, 30% dos sistemas de controle automático de bagagem e uso compartilhado das áreas de check-in pelas companhias foram testadas e funcionam adequadamente. O restante depende da conclusão da obra (nova sala de embarque e ponto de acesso às aeronaves). A inauguração está prevista para a primeira semana de abril.