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Programa Estadual de Transplantes lança campanha para incentivar doações

Os recordes de doadores de órgãos e transplantes realizados são cada vez mais comuns, mas o Programa Estadual de Transplantes (PET) continua elaborando ações para aumentar ainda mais estes números. Até o dia 24 de novembro é celebrada a Semana Estadual de Doador de Órgãos e Tecidos e, para comemorar a data, o PET lançou a campanha Esperar Pra Quê?. Em 2012, foram 221 doações e 531 transplantes realizados no estado. Este ano, o número de captações de órgãos subiu para 200 e, até o momento, 500 transplantes já foram feitos com sucesso. Com números crescendo cada vez mais – em 2011, foram 121 doadores – a campanha tem como objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância de, na hora da morte de um ente querido, pensar em salvar outras vidas. Suzane Lima

O lançamento oficial da campanha foi feito em uma cerimônia com a presença de 30 famílias de doadores na Capela Ecumênica da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), nesta terça-feira (19/11). O PET, que atua principalmente na captação dos órgãos, distribuição aos hospitais e transplantadores, foi criado em 2010 e os resultados já são aparentes. Atualmente, o Rio de Janeiro está em segundo lugar no ranking de doação no país. A intenção é bater o recorde de 300 doadores em 2014. Para o coordenador do PET, Rodrigo Sarlo, o governo precisa levantar a questão da prática para incentivar a sociedade a debater o tema.

– Quem doa um órgão faz isso para a sociedade. É um gesto extremo de amor em um momento em que a pessoa tem a sua maior dor. Nós queremos aguçar a curiosidade das pessoas com esta pergunta: por que você vai esperar se tem gente morrendo na fila? – disse Sarlo.

Foi esta pergunta que incentivou a secretária Raquel Lima a doar as córneas, rins e fígado do filho Marcos Paulo Lima, de 20 anos. Ele morreu após um acidente de moto há exatos quatro meses e, após receber a notícia, a mãe decidiu ajudar outras pessoas na fila de espera.

– Quando a gente decide tomar uma decisão destas é muito difícil porque em um primeiro momento você acha que vai ferir a pessoa de novo, mas depois você entende que ele abençoou outras vidas. Hoje três pessoas estão sorrindo por meio da vida do meu filho – afirmou Raquel.

Camila Souza, filha do funcionário público Francisco José de Souza, sofreu um acidente vascular encefálico hemorrágico aos 21 anos. Católico, Francisco se apoiou na religião para tomar esta decisão tão difícil. Fígado, rins, coração e córneas foram doados.

– Sempre foi um desejo meu fazer a doação dos meus órgãos, mas os da minha filha eu não esperava. Apesar da dor que a gente sente, é uma parte dela que está viva em alguém e isso é muito gratificante – explicou.

Há três anos, Jonatas Gonçalves, estudante e maratonista amador de 23 anos, descobriu que seus rins tinham parado de funcionar. Depois de dois anos fazendo hemodiálise três vezes por semana, ele entrou na fila de espera por um rim. Depois de um ano, ele recebeu uma ligação e, no dia 24 de maio, entrou na sala de cirurgia para receber o tão esperado presente.

– Não tenho palavras para descrever o quanto foi importante que esta família tenha autorizado a doação e, se eu pudesse retribuir de alguma forma, acho que faria uma música para agradecer. Vou usar bem o órgão que ganhei vivendo e sendo feliz – disse Jonatas, que já voltou a treinar e faz planos para se tornar um maratonista profissional.