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Interpol foi acionada para caçar Henrique Pizzolato

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O ex-executivo está na Itália há 45 dias, segundo informação do advogado que fazia a sua defesa, Marthius Sávio Cavalcante Lobato, ao delegado da Polícia Federal Marcelo Nogueira. Como tem dupla cidadania, Pizzolato pode nunca ser obrigado a cumprir sua pena de 12 anos e sete meses em regime fechado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. A Itália pode argumentar que sua prisão foi decretada porque ele oferece risco à sociedade brasileira, não à italiana.

“A Interpol já foi acionada. No entanto, é importante lembrar que, já na Itália, o ex-diretor poderá solicitar asilo político”, explicou o delegado, que recebeu a informação do advogado pouco depois das 11h30 de ontem. Lobato chegou a dizer que seu cliente iria se apresentar sábado. Agentes federais procuraram Pizzolato em seu endereço, em Copacabana, mas não havia ninguém.

Ao entregar uma carta do ex-diretor de Marketing, o advogado disse ao delegado que não o representava mais. No texto, o réu, que não poderia ter deixado o país sem avisar às autoridades, afirma que foi para a Itália em busca de um “julgamento afastado de motivações político-eleitorais justo”.

A polícia não havia confirmado detalhes da viagem de Pizzolato. Mas o delegado acredita que ele foi por terra para o Paraguai, atravessando a fronteira em Ponta Porã (MS), e pegou um avião para a Europa no aeroporto Dr. Augusto Roberto Fuster, em Pedro Juan Caballero.

Se a Interpol confirmar sua presença na Itália, ele será monitorado enquanto as autoridades brasileiras estudam uma forma de encontrar uma brecha de pedir sua extradição. Se ele for pego em outro país, que tenha acordo de extradição com o Brasil, aí, sim, ele pode ser preso e sua situação penal vai piorar porque foi capturado em fuga.

Segundo o criminalista Luiz Flávio Gomes, Pizzolato não tinha impedimento para sair do país: “Houve uma época em que o ministro Joaquim Barbosa pediu os passaportes dos acusados pelo Mensalão, mas depois devolveu porque entendeu que não havia risco.”

 Se Henrique Pizzolato tivesse dupla cidadania em qualquer outro país, tudo seria mais fácil para as autoridades brasileiras. Itália e Brasil ainda têm um passado de relações diplomáticas abaladas justamente por questões envolvendo criminosos dos dois países.

Considerado por muitos um terrorista, o ex-ativista italiano Cesare Battisti recebeu pena de prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas entre 1977 e 1979. A Itália o queria de volta, mas o pedido de extradição foi negado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.

Salvatore Cacciola é um banqueiro ítalo-brasileiro, proprietário do falido Banco Marka, condenado em primeira instância no Brasil por crimes contra o sistema financeiro. Foi punido com diretores do Banco Central, após sua instituição ter sido socorrida em 1999 por ocasião da flutuação cambial.

Ficou foragido por quase seis anos na Itália, onde, como Pizzolato, tinha garantido o direito de ir e vir. Mas cometeu um erro fatal: foi passar um fim de semana em Mônaco, onde sua dupla cidadania não o protegia e acabou preso e extraditado ao Brasil em 2008. Cacciola responde a diversos processos criminais, todos ainda sem sentença definitiva. Chegou a ir para o presídio Bangu 8, mas em 2011 foi beneficiado por liberdade condicional.

“Decidi fazer valer meu legítimo direito de liberdade”

“(…) Nos últimos anos minha vida foi devassada e não existe nenhuma contradição em tudo que declarei quer seja em juízo ou nos eventos públicos que estão disponíveis na internet. (…) Até desmembraram em inquéritos paralelos sigilosos para encobrir documentos, laudos e perícias que comprovam minha inocência, o que impediu minha defesa de atuar na plenitude das garantias constitucionais. E o cúmulo foi utilizarem contra mim um testemunho inidôneo. (…) Por não vislumbrar a mínima chance de ter julgamento afastado de motivações político-eleitorais, com nítido caráter de exceção, decidi consciente e voluntariamente fazer valer meu legítimo direito de liberdade para ter um novo julgamento, na Itália, em um tribunal que não se submete às imposições da mídia empresarial, como está consagrado no tratado de extradição Brasil e Itália.”

HENRIQUE PIZZOLATO, ex-diretor de Marketing do BB