Na última terça-feira (01/10), confusão e bombas de gás lacrimogêneo marcaram a manifestação dos profissionais da educação em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, centro carioca. Em entrevista, a professora Djane Rachel, de 42 anos, relatou os momentos de tensão no local.
A educadora trabalha há 20 anos na Prefeitura, onde tem duas matrículas em escolas no bairro de Vila Kosmos, na zona norte. Ela contou que chegou ao local às 10h com outros colegas e ficaram sitiados no acampamento montado no local. Vestidos com camisas pretas em apoio à greve, Djane relatou que, durante o tumulto, houve repressão quanto à vestimenta. “Tirem as camisas pretas, porque a polícia está prendendo, agredindo”, disse ela.
O veículo de som do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ) também foi proibido de circular. “A polícia montou o cerco entre o Theatro Municipal e a Câmara impedindo a passagem do carro. Então, uma pessoa falava pelo alto-falante e nós replicávamos”.
Por volta das 13h, a professora contou que as primeiras bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas, porém foram orientados pelo Sepe a não criar tumulto. “Os Black Blocs realmente quebraram as coisas na Avenida Rio Branco, mas eles também nos auxiliaram. Eles não são crianças, eles têm tática de guerra”, ressaltou.
Assustada com os fatos, Djane também sente revolta. “Não há diálogo com o Governo”, queixou-se. “Então, já não sei se eles (Black Blocks) estão errados. Eles nos protegeram o tempo todo”.
Além da repressão policial, os professores relatam que sofrem ameaças pela Coordenadoria Regional de Educação do Rio (CRE). “É muita pressão para voltarmos às aulas. Até o Sodex está sendo descontado”, acrescentou. “Se voltar dessa greve, não sei o que vou falar para os meus alunos, não sei que aula vou dar”, desabafou Djane.
Fonte: Manchete On Line