O primeiro dia de atividades no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, aberto ontem (17), foi marcado por debates no seminário Estratégias para o Desenvolvimento das Pequenas Empresas do Audiovisual Brasileiro. Profissionais envolvidos com cinema participaram dos debates, com ampla participação do público.
“O seminário superou as minhas expectativas. Tanto na participação dos convidados como do público, que lotou completamente a sala, interessado e participativo, contribuindo para o debate”, disse Marcus Ligocki, que coordenou a mesa sobre Distribuição Cinematográfica. A mesa contou com a participação de diretores de produtoras de médio e pequeno porte, com suas visões de como ampliar o mercado para filmes independentes.
“A gente está em um modelo de comédia, que está dando certo. Mas não podemos depender só disso. Existem outros formatos que podem funcionar, mas para precisamos entender o público, o que está acontecendo”, analisou Sandro Rodrigues, diretor-geral da H2O Filmes. Para ele, investir em pesquisa de mercado, ainda no início de um projeto, minimiza possíveis prejuízos das empresas do setor.
Sílvia Cruz, diretora-geral da Vitrine Filmes, acredita que os filmes independentes deveriam ter espaços específicos, que não competissem com filmes de maior investimento, com grande potencial comercial. “Em salas comuns de cinema, os filmes disputam espaço com outros muito mais conhecidos, com maior publicidade. Para os filmes que eu lanço, não adiantaria aumentar o número de salas em exibição, precisariam de salas com propostas específicas”, disse.
“Esse seminário teve um papel importante que é trazer pro debate pessoas que representam pilares importantes do mercado, colocando como percebem, o que tá sendo feito, onde sentem problemas”, completou Ligocki, que também é produtor, diretor e roteirista.
As oficinas também prometem movimentar o festival. Hoje, teve início a oficina de roteiro. Ela vai fornecer material para as oficinas de direção, trilha sonora e finalização digital. “Já fiz oficinas nesse molde, com esses mesmos professores, em outros festivais. E dado o sucesso dessas oficinas, resolvemos repetir a experiência aqui. No final, vamos projetar cerca de três ou quatro filmes, resultado do trabalho de todos”, disse Jorge Bodanzky, responsável pela oficina de direção.
A mostra competitiva iniciou hoje (18), com cinco filmes, entre curta-metragem, longa-metragem e documentário. Os filmes concorrentes serão exibidos até o dia 23 de setembro, a partir das 19h, no Cine Brasília, com entrada ao custo de R$ 6 e R$ 12, e com entrada gratuita no Teatro Sesc Newton Rossi, na Ceilândia; no Teatro de Sobradinho; no Teatro Sesc Paulo Autran, em Taguatinga; no Teatro Sesc Gama; e no Teatro do Guará.
A programação completa do festival pode ser obtida em seu site oficial (http://www.festbrasilia.com.br/programacao).
17/09/2013
Na cerimônia de abertura do 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o destaque foi para a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional e ao violinista austríaco Benjamin Schimid. Ao fim do concerto, o público aplaudiu de pé a apresentação. Cada segundo, porém, foi mais do que merecido, Schimid desfilou um rico repertório de notas, com intimidade invejável, em seu Stradivarius de 313 anos de idade.
As peças tocadas mergulharam o público no clima do cinema, com trilhas sonoras do compositor Erich Wolfgang Korngold, ganhador do Oscar pela trilha sonora de As Aventuras de Robin Hood, de 1938. Em seguida, a equipe responsável pelo documentário Revelando Sebastião Salgado subiu ao palco para a exibição do filme.
O documentário colocou o espectador dentro da casa e da vida de Sebastião Salgado, desde a infância e passando pela carreira do fotógrafo. Risadas e aplausos marcaram a exibição da película. A impressão, ao fim, foi que o festival começou com o pé direito. O Secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira, presente no evento, comemorou mais uma edição e a presença de filmes de vários estados na mostra competitiva.
“Vamos receber aqui e exibir filmes do Rio de Janeiro, de Goiás, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, dentre outros. E o que importa para nós é que o público de Brasília tenha a possibilidade de ver o que o Brasil está produzindo e refletir sobre os grandes e pequenos dramas humanos que a nossa sociedade vive. Refletir sobre eles e fazer pensar, o que deve ser a tarefa do cineasta”, disse.
O coordenador-geral do evento, Sérgio Fidalgo, destacou o variado leque de temas abordados nesta edição. “A expectativa é muito grande para esta edição do festival. A seleção foi muito primorosa, a mostra está excelente, com uma diversidade muito grande de temas. Os filmes são bastante personalistas, filmes que as pessoas vão amar ou odiar, não tem meio-termo”, destacou.
O roteirista e dramaturgo Maurício Witzak ressaltou a importância do festival para o desenvolvimento do cinema brasiliense. “Acho que o principal é quando as coisas evoluem para que o cinema feito aqui em Brasília aconteça. E acho que está acontecendo e, a cada ano que passa, está melhorando”. Para a cineasta Mariana Viegas, o festival é responsável direto pela evolução do cinema na capital federal. “A produção local tem melhorado bastante e o festival é um dos maiores motivadores para isso”, disse.
O 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro vai até o dia 24 de setembro. Nesta quarta-feira (18), a partir das 19h, começa a mostra competitiva.
( Agência Brasil)