Na manhã deste domingo (29/09), uma nota foi enviada a Câmara Municipal do Rio agradeceu o apoio da Polícia Militar no processo de desocupação do Palácio Pedro Ernesto, que terminou com dois professores presos e vários feridos na noite de sábado (28/09).
Segundo o texto, a medida garantiu o pleno funcionamento do Legislativo Municipal, e a corporação contribuiu para a preservação dos princípios democráticos.
Ainda na nota, a Câmara ressalta que esgotou todas as tentativas de diálogo. “Durante os três dias de ocupação, todas as tentativas de diálogo com os manifestantes, promovidas pelos vereadores e agentes da PM, foram esgotadas – quatro horas de conversações na sexta-feira e mais cinco, neste sábado”, afirma.
Neste domingo, funcionários de limpeza e conservação da Casa trabalham para que amanhã o “Palácio esteja pronto para o retorno das atividades legislativas”.
O texto destaca ainda uma decisão do desembargador, Fernando Fernandy Fernandes, tomada na época da ocupação pelos manifestantes contrários à atual formação da CPI dos Ônibus. “… para o fiel acompanhamento dos trabalhos das Comissões e do Legislativo em geral, que se realizam em sessões públicas, os manifestantes têm livre acesso aos locais próprios, nos horários de funcionamento da Casa Legislativa. Não há necessidade, evidentemente, de se ocupar os recintos do prédio público, de uso especial, passando a morar no local, que não está preparado para tanto”, afirma o magistrado.
A reintegração de posse da Câmara foi marcada por violência e uso de força. Para retirar os manifestantes, os agentes arrombaram uma porta lateral do prédio da Câmara. Durante a ação, dois professores que estavam dentro do Palácio foram presos e levados para a 5ª DP (Mem de Sá): Gustavo Kelly e Ercio Novaes. Os PMs alegaram que os professores resistiram ao processo de desocupação. Os dois foram soltos no final da madrugada deste domingo (29).
Relatos de manifestantes que foram retirados do interior do prédio mostram que os policiais, além de arrastarem os ocupantes, utilizaram armas de choque para imobilizar vários deles. Um dos professores que teria oferecido resistência foi levado desmaiado para a delegacia.
Outro grupo de manifestantes, que se concentrava na Rua Evaristo da Veiga há dois dias em apoio à ocupação, também foi agredido. Segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ), os agentes utilizaram cassetetes, gás de pimenta e bombas de efeito moral nos manifestantes que tentaram impedir a entrada dos policiais. A ação provocou ferimentos em várias pessoas. Pelo menos cinco professores foram levados ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Ainda não se sabe o estado de saúde deles. Na 5ª DP, o sindicato encaminhou vários feridos para preencherem um boletim de ocorrencia denunciando a violência arbitrária da PM.
A plenária e as galerias do Palácio estavam ocupadas por profissionais municipais de educação desde a última quinta-feira (26), quando seria votado o Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR) da categoria, que não concorda com o documento, elaborado pelo Executivo e enviado à Câmara para ser votado em regime de urgência. Eles queriam que o tema fosse retirado da pauta de votações.
Segundo a categoria, o documento não contempla 93% dos profissionais e traz diversos pontos que prejudicariam os trabalhadores, caso sejam aprovados, como a criação do cargo de professor generalista e o regime de 40 horas semanais.
Na manhã deste domingo, cerca de 20 profissionais da rede municipal permanecem acampados em frente à Câmara.
Fonte: Manchete On Line