O processo de reestruturação do Grupo EBX, do empresário Eike Batista, vai permitir “equacionar a esmagadora maioria das dívidas”, inclusive com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é do presidente do banco, Luciano Coutinho, que participou de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos no Senado.
Segundo Coutinho, a reestruturação vai permitir que o grupo pague as dívidas, e o BNDES e outros bancos não terão prejuízo. “Até o momento não [houve prejuízo]. E esperamos que a reestruturação do grupo permita equacionar a dívida bancária”, disse.
Coutinho disse ainda que o BNDES tem “uma condição extremamente confortável em relação às garantias” dos empréstimos feitos pelo grupo. No dia 3 de julho, o banco informou ter emprestado às empresas do Grupo EBX R$ 10,4 bilhões. Em nota, o BNDES disse que o montante não chegou a ser totalmente desembolsado, por causa do calendário de execução dos projetos financiados.
Na época, a instituição financeira informou que as participações acionárias nas empresas de Eike Batista representavam 0,6% da carteira da BNDESPar, braço do banco que compra ações de empresas.
“Do volume total contratado, nem tudo foi liberado, já que os desembolsos, de acordo com a praxe em projetos apoiados pelo BNDES, ocorrem ao longo do período de execução dos empreendimentos”, destacou o comunicado. A instituição financeira informou também que as participações acionárias nas empresas de Eike Batista representavam apenas 0,6% da carteira da BNDespar, braço do banco que compra ações de empresas, em 31 de março.
Na nota, o banco indicou ter confiança de que o Grupo EBX encontrará uma saída para a crise: “O BNDES está acompanhando o desenrolar dos acontecimentos relacionados ao Grupo EBX, que dispõe de ativos sólidos e valiosos, e confia na capacidade dos atores envolvidos de encontrar a melhor solução para superar os atuais desafios”.
O BNDES informou ainda que cada contrato está amparado em garantias específicas, incluindo fianças bancárias, que podem ser executadas caso as empresas do Grupo EBX não paguem os financiamentos. “Com isso, a exposição direta à EBX representa uma parcela muito pequena do patrimônio líquido de referência do BNDES”, acrescentou o texto.
Nos últimos 30 dias, as ações da OGX, empresa de Eike Batista que explora petróleo, caíram 71,9% na Bolsa de Valores de São Paulo. Somente hoje (3), a queda chegou a 13%. Ontem (2), as agências de classificação de risco Moody’s e Standard & Poor’s rebaixaram a nota das ações da OGX para uma avaliação que indica alto risco de calote – risco de a empresa não conseguir honrar os compromissos. As duas agências citaram a baixa produção de petróleo e o fraco fluxo de caixa para justificarem a decisão.
(Agência Brasil)