A Comissão de Relações Exteriores do Senado confirmou, em nota, o cancelamento da entrevista coletiva que seria dada hoje (27), às 15h, pelo senador boliviano Roger Pinto Molina. A entrevista foi organizada pelo presidente da comissão, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Pinto Molina ficou abrigado por 15 meses na Embaixada do Brasil em La Paz (capital da Bolívia) e chegou ao Brasil no último dia 24 .
A decisão de cancelar a entrevista foi tomada em conjunto pela equipe de Molina e Ferraço em decorrência da crise causada com sua chegada ao país, que levou à saída de Antonio Patriota do Ministério das Relações Exteriores.
“Tendo em vista vários sinais positivos, optamos por cancelar a entrevista coletiva do senador Pinto Molina”, disse Fernando Tibúrcio Peña, que defende o parlamentar boliviano.
O senador Pedro Taques (PDT-MT) disse que a presidenta Dilma Rousseff agiu corretamente ao aceitar a demissão de Patriota ontem (26). “Foi a atitude correta, sob pena da desmoralização total da diplomacia brasileira que, há muito, vem se portando como uma diplomacia ideológica”. Taques destacou que, historicamente, a diplomacia brasileira deu provas de profissionalismo, mas, segundo ele, “nesse caso, passou vergonha”. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que não acredita em “mudanças significativas” na política externa brasileira.
Patriota será substituído pelo atual representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Luiz Alberto Figueiredo, que deve assumir o cargo até o fim desta semana.
A presidenta Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. O representante do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), embaixador Luiz Alberto Figueiredo irá assumir o cargo.
Em nota à imprensa, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a indicação de Patriota para a Missão do Brasil na ONU e agradeceu a atuação do ex-ministro “nos mais de dois anos que permaneceu no cargo”. Nesta tarde, a presidenta se reuniu com Antonio Patriota, no Palácio do Planalto, por cerca de 50 minutos. A previsão é que Figueiredo assuma o cargo até a próxima sexta-feira (30) e acompanhe a presidenta Dilma neste fim de semana para Cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Paramaribo, capital do Suriname, que irá marcar a volta do Paraguai à Unasul.
Patriota deixa o ministério após uma ação que resultou na saída do senador boliviano Roger Pinto Molina da embaixada brasileira na Bolívia, onde ficou abrigado por quase 15 meses, e o ingresso dele no Brasil. Uma das lideranças de oposição ao governo de Evo Morales, Molina pediu asilo político ao Brasil, alegando perseguição política. Ele aguardava o salvo-conduto, para deixar o país, mas que foi negado pelas autoridades bolivianas que alegavam que o parlamentar responde a processos judiciais no país.
Com a saída da embaixada, Molina está em Brasília na casa de seu advogado. O diplomata de carreira e encarregado de negócios na Bolívia Eduardo Saboia é apontado como principal responsável pela saída do senador boliviano. O governo boliviano cobra explicações e argumenta que o senador Molina deixou o país como um “criminoso comum”, pois tem ordem de prisão decretada e uma sentença condenatória de um ano por causar prejuízos econômicos ao Estado boliviano.
O diplomata de carreira Eduardo Saboia, apontado como principal responsável pela saída do senador boliviano Roger Pinto Molina da Embaixada do Brasil na Bolívia, já está no Itamaraty para prestar esclarecimentos. Saboia será ouvido pelo ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, e secretário-geral do Itamaraty, Eduardo dos Santos. Há possibilidade de ser aberto inquérito para apurar responsabilidades sobre a retirada do boliviano de La Paz (capital da Bolívia).
Patriota foi chamado pela presidenta Dilma Rousseff para uma reunião agora a tarde no Palácio do Planalto para tratar do tema.
Com mais de 20 anos de carreira, Saboia é apontado como um profissional disciplinado, competente e dedicado. No entanto, desde que assumiu como encarregado de negócios (substituto temporário do embaixador) na Bolívia, há dois meses, Saboia reitera ao Itamaraty as dificuldades vividas por Pinto Molina, que ficou 455 dias abrigado na representação diplomática.
Saboia esteve duas vezes em Brasília relatando que o senador boliviano sofria de depressão e estava com problemas renais. Na última ocasião em que esteve no Itamaraty, o diplomata pediu para ser removido (deixar o posto) de La Paz para outro posto no exterior ou mesmo no Brasil.
O senador boliviano, que é opositor do presidente Evo Morales, ficou abrigado por 15 meses na embaixada brasileira na Bolívia desde que pediu asilo político ao Brasil. O salvo-conduto era negado pelas autoridades bolivianas que alegam que o parlamentar responde a processos judiciais no país por suspeita de corrupção.
(Agência Brasil)