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Audiência pública sobre os casos dos desaparecidos no estadodo Rio serão tema de debate na Alerj

Presidida pelo deputado Marcelo Freixo, a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), realiza nesta terça-feira (13/08) uma audiência pública sobre os casos dos desaparecidos no estado. O encontro será na sala 316 do Palácio Tiradentes, às 10h.

A audiência contará com a participação dos familiares da Amarildo Dias de Souza, da engenheira Patrícia Amieiro, a ONG Rio de Paz, o pesquisador Fábio Araujo, o delegado da Divisão de Homicídio, Rivaldo Barbosa, além de representante do Ministério Público. No encontro, o deputado pretende abordar a relação entre desaparecimento forçado e violência urbana e práticas de extermínio.

Os poucos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) sobre os desaparecimentos no Estado do Rio de Janeiro são alarmantes. Entre 2003 e 2012, os números indicam mais de 50 mil casos, com crescimento anual significativo. De acordo com a assessoria do parlamentar, as poucas informações sobre desaparecimento forçado indicam inclusive uma espécie de divisão do trabalho entre policiais, milicianos e traficantes de drogas no ato de desaparecer com corpos.

 

A Rio de Paz fará um novo ato público, às 8h, durante a audiência. A ONG manterá nas escadarias da Alerj uma réplica do chamado “forno microondas”, uma pilha de pneus com um manequim dentro, simbolizando as vítimas de desaparecimento que tiveram o corpo incinerado, prática comum no Rio de Janeiro. Um manequim coberto por véu e com máscara neutra será também levado para a sala na qual será realizada a audiência pública.

“A audiência pública sobre os desaparecidos é resultado de um pedido do Rio de Paz feito pessoalmente ao presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, deputado Marcelo Freixo. Em agosto de 2010 encaminhamos um ofício ao Instituto de Segurança Pública solicitando uma pesquisa sobre casos de desaparecimento e tentativas de homicídio. Não obtivemos até hoje resposta alguma. Essa audiência pública é expressão do nosso esforço por ver essa prática combatida e esclarecida. Há inúmeras áreas da região metropolitana do Rio de Janeiro que servem de local de desova. Mais de 35 mil pessoas desapareceram no Estado entre 2007 e 2013. Há também aqueles que não tiveram o registro do seu desaparecimento feito em delegacia. Há muitos Amarildos no Rio de Janeiro. Torturar, executar e ocultar cadáver é prática odiosa, seja quem for a vítima”, enfatiza a ONG.