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Empresário culpa aumento do número de carros por problemas no transporte


Galhardi, sobre protesto em festa de casamento: ‘me senti acuado. Foi horrível’

O empresário da área de transporte público Eurico Galhardi teve apenas um dia para se refazer da tumultuada festa de casamento de Beatriz Barata, neta de seu sócio, Jacob Barata, e uma audiência pública no Senado para tratar justamente do problema que levou uma centena de manifestantes a protestar diante da Igreja do Carmo e do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro: o preço das passagens de ônibus e a qualidade do transporte.

Durante a jornada em frente a um dos mais famosos cartões postais do Brasil, os manifestantes cobraram ruidosamente da família Barata o preço pelo que consideram abusos por parte dos empresários de ônibus em relação aos usuários, mas sofreram também a hostilidade de convidados ao evento, estimado em R$ 3 milhões: segundo noticiaram vários sites, notas de R$ 20,00, e até um cinzeiro, foram atirados do salão de festa em direção à calçada. O objeto de vidro cortou a testa de um manifestante no momento em que a tropa de choque da Polícia Militar interveio com o já costumeiro arsenal de balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo.

Na manhã desta segunda-feira (15), perante a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), Eurico Galhardi admitiu que as recentes manifestações em todo o país “acordaram” as autoridades para os problemas do setor, mas condenou o ato ocorrido entre a noite de sábado e a madrugada de domingo. Como presidente do conselho diretor da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (ANTU), Galhardi eximiu os empresários de culpa pelas atuais dificuldades do transporte público, e atribuiu a crise ao aumento na venda de carros.

‘Máfia’

Durante a audiência, realizada para debater o tema mais geral da mobilidade urbana, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) advertiu para o risco de novos protestos, como os de junho, que levaram mais de um milhão de pessoas às ruas em centenas de cidades

– Se não houver respostas concretas para os problemas do transporte público no Brasil, e não derrubarmos a máfia que o controla, as manifestações voltarão e serão milhões nas ruas – previu.

No entender do presidente de ANTU, a atual insatisfação com o setor é resultado dos subsídios do governo à indústria automobilística.

– O transporte coletivo é considerado ruim por muitas pessoas porque as cidades estão impactadas [com o aumento da quantidade de automóveis]. Com isso você não tem velocidade em vias que são partilhadas [entre carros e ônibus] – argumentou.

Galhardi citou linhas de ônibus que faziam, por exemplo, oito viagens e transportavam mil passageiros, mas agora fazem apenas cinco viagens e não conseguem transportar nem 500 passageiros. Para atender esse público, observou, são necessários mais carros:
– É como um cachorro louco que corre atrás do próprio rabo. Quem está pagando a conta disso tudo é quem anda de ônibus. O aumento do número de carros compacta as ruas e polui ainda mais o meio ambiente – assinalou, apesar de reconhecer os objetivos econômicos e sociais do governo ao estimular a venda de automóveis.

Apesar de reconhecer os problemas enfrentados pela população, em entrevista,Galhardi discordou da forma como os manifestantes lavraram sua insatisfação:

– Foi uma coisa de ódio contra a pessoa, quando a questão é resolver os problemas do país. Eu me senti acuado. Foi horrível. Uma coerção psicológica que mexeu com a família da noiva. Ficamos com receio de que jogassem algo nela. Entraram na vida privada dessas pessoas e promoveram um acinte ao direito de ir e vir.

Agência Senado