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Anvisa lança cartilha com orientações sobre armazenamento do sangue de cordão umbilical

 

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária lançou hoje (24) uma cartilha para esclarecer os benefícios e as limitações do armazenamento do sangue de cordão umbilical, prática que vem crescendo nos últimos anos. Um dos objetivos é orientar futuros pais que veem na coleta uma forma de garantir o tratamento de doenças do filho.

O texto explica que o cordão umbilical é uma alternativa no tratamento de doenças hematológicas, por ser rico em células-tronco, porém são raros os relatos de transplantes de sangue de cordão autólogo (no próprio doador) no mundo e não há estatísticas quanto à eficácia desse tipo de procedimento.

“Nem sempre será possível utilizar o próprio sangue de cordão armazenado. Este uso é contra-indicado em algumas situações. Por exemplo, para tratar doenças de origem genética, como certas leucemias (a causa mais comum de transplantes realizados na infância), uma vez que o sangue do cordão pode carregar o mesmo material genético e os mesmos defeitos responsáveis pela doença manifestada”, diz a cartilha.

De acordo com a Anvisa, das 45.661 unidades de cordão umbilical armazenadas em bancos privados no país, entre 2003 e 2010, apenas três foram utilizadas para transplante autólogo.

A legislação proíbe que os bancos privados façam transplantes usando o material de uma pessoa para tratamento de outro paciente. Nos bancos privados, os custos são arcados pelo contratante. A cartilha incentiva as pessoas a doarem os cordões umbilicais para os bancos públicos, onde o acesso é gratuito.

A maioria dos transplantes usa células-tronco do sangue do cordão armazenado em unidades públicas. Mais de 10 mil pacientes no mundo foram tratados desta maneira, segundo a Anvisa.

Armazenar sangue de cordão umbilical é prática cada vez mais comum no país

09/03/2013
Apesar do nome longo e complicado, o armazenamento de sangue de cordão umbilical para uso autólogo é prática cada vez mais popular no país. O preço alto, que pode variar de R$ 2 mil a R$ 7 mil, além da manutenção anual que é, em média, R$ 500, não desestimula pais preocupados com o futuro bem-estar dos filhos.

Embora o número de bancos privados, atualmente 17, tenha se mantido o mesmo desde 2010, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que a quantidade de cordões armazenados vem crescendo substancialmente desde 2003. Entre 2009 e 2010, o número de cordões passou de 8.866 para 11.456.

Embora dados mais recentes ainda não tenham sido divulgados, o gerente de Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa, Daniel Roberto Coradi de Freitas, informou que a procura pelo serviço continua aquecida. “O número de bolsas [bolsas] cresce todo o ano, embora o número de bancos não tenha crescido, a atividade comercial está se expandindo, o que pode significar que esses bancos estão aumentando seu lastro de captação”, explicou Coradi.

A diretora de Produção do banco privado Cryopraxis, Janaína Machado, disse que a empresa, a maior do país, está próxima da meta de coleta de cerca de 400 amostras por mês. “Nossa média de coleta é atualmente 300 a 350 amostras por mês”, explicou. Criada em 2001, a Cryopraxis, que é o maior banco privado de sangue de medula óssea do país, tem armazenadas 30 mil unidades desse tipo de sangue. Janaína explicou que do total armazenado, quatro unidades foram utilizadas para tratamento de clientes. “Três foram para leucemia e um para pesquisa clínica de hipóxia neonatal (sofrimento do feto por baixa concentração de oxigênio)”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carmino Antônio Souza, a desinformação sobre o serviço faz com que a maioria das famílias pague um preço alto na esperança de uma promessa sem fundamento. “As pessoas precisam saber que terão um gasto grande para manter uma célula sem nenhuma função. Elas acreditam que o que foi coletado é um seguro de vida para o filho. A coleta em si não é garantia de qualidade. É um negócio que tem favorecido vários empresários, mas o favorecimento das famílias é remoto”, comentou. “É como comprar um terreno na lua. Pode até ser legal, mas você vai fazer o que com a escritura de um terreno na lua?”.

O médico ressaltou que no caso da leucemia, principal causa de câncer em crianças e a mais citada pelos bancos privados como forma de prevenção à saúde, a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante não deve ser realizado.

“Existem estudos que demonstram que o genoma da pessoa já traz essa predisposição à leucemia”, contou, ao explicar que uma célula-tronco de outra pessoa seria mais eficaz.  “E pode ser adquirida gratuitamente nos bancos públicos”, completou.

A funcionária do banco privado rebateu o argumento de Carmino ao defender que pacientes que precisam de transplantes de medula óssea podem utilizar o sangue do próprio cordão como forma de sobrevida, enquanto não encontra um doador compatível nos bancos públicos. “Além disso, existem outras doenças que podem ser tratadas com a célula do próprio doador, como retinoblastoma, neuroblastoma, doenças comuns na infância, além de haver uma série de pesquisas no mundo todo para diversos tratamentos”.

Já o presidente da ABHH lembrou que a terapia celular ainda está fase experimental e não há previsão de quando o tratamento com células-tronco poderá ser utilizado de forma sistemática e segura. Outro ponto levantado por ele é que mesmo que no futuro haja descobertas, passados cerca de 20 anos da coleta, a qualidade do sangue é reduzida.

A representante da Cryproxis argumentou que os bancos privados são complementares aos bancos públicos e não concorrentes. “Nós apoiamos os bancos públicos, mas há uma miscigenação enorme no Brasil, então as chances de você encontrar um doador compatível em um banco público é pequena. Então, somos uma espécie de plano de saúde. É uma decisão do cliente se quer ter o serviço público ou o privado”, ponderou.

A opinião do técnico da Anvisa Daniel Coradi é contrária à da representante da Cryopraxis. Ele considera que os bancos privados não contribuem para a saúde pública. “Eles [os bancos] armazenam para uso próprio, reduzem a doação desses cordões para os bancos públicos e prejudicam a política nacional para transplante baseada no altruísmo”.

Os dados mais recentes encontrados na página da Anvisa são de 2010 e mostram que havia no Brasil 17 bancos de armazenamento privado nessa época. Das mais de 45 mil bolsas de sangue armazenadas, apenas oito foram utilizadas para tratamento desde 2003, sendo três para uso autólogo.

Anvisa lançará cartilha sobre reais benefícios de armazenar sangue de cordão umbilical

09/03/2013
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai lançar, no fim de março, uma cartilha para alertar os futuros pais sobre os reais benefícios de armazenar o sangue de cordão umbilical para uso próprio, também conhecido como autólogo.

O gerente de Tecidos, Células e Órgãos da Anvisa, Daniel Roberto Coradi de Freitas, explicou que a iniciativa, que conta com a parceria do Instituto Nacional do Câncer (Inca), foi impulsionada pela constatação de que muitos pais pagam caro para congelar o sangue dos cordões umbilicais dos filhos na crença de que estão adquirindo um seguro de vida.

“Na verdade, o uso dessas unidades é muito restrito. E nosso intuito é esclarecer aos pais essa realidade para que eles tomem uma decisão consciente”, disse Coradi. “Alguns bancos acabam fazendo propaganda sobre o uso da célula para o tratamento de uma série de doenças, o que ainda está sendo pesquisado”, acrescentou.

Panfletos em salas de espera de consultórios ginecológicos e de maternidades são facilmente encontrados com a promessa de salvar a vida do bebê por meio do uso do sangue do cordão umbilical do próprio recém-nascido em casos de doenças futuras, hoje incuráveis. Os preços podem variar de R$ 2,5 mil a R$ 7 mil e ainda existe a taxa de manutenção que varia entre R$ 500 e R$ 700.

No Brasil, os bancos privados de sangue de cordão umbilical têm licença de funcionamento, emitida pelo órgão de vigilância sanitária, para executar exclusivamente atividades afetas ao armazenamento, com o fim de utilização pelo próprio recém-nascido, mas alguns têm se utilizado de manobras jurídicas para tratar parentes do detentor do cordão umbilical armazenado, que é proibido por lei, já que essa é competência do banco público, gratuito e universal.

O uso autólogo das células-tronco é justificado por entidades médicas para os casos de alto risco genético para doenças, entre elas anemias hereditárias, como talassemia, doença falciforme.

Em abril de 2010, a Anvisa determinou adequações no material publicitário de bancos de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário para uso autólogo, depois de identificar itens irregulares, como informações que possibilitariam interpretação errônea a respeito da utilização das células do sangue de cordão umbilical e placentário, resultando em falsa sensação de segurança para os pais ao adquirir um serviço que, de fato, não tem meios de assegurar a saúde futura dos filhos. Um ponto pouco esclarecido para os pais é que crianças prematuras costumam ter uma quantidade de sangue no cordão umbilical insuficiente para a coleta.

A gerente de Produção do maior banco privado de sangue de cordão umbilical do país, Cryopraxis, Janaína Machado, admitiu que existem no mercado propagandas enganosas, mas defendeu a existência dos bancos privados, que, segundo ela, podem ser úteis para pacientes que não encontram doadores compatíveis nos bancos públicos.

“É preciso ter muito cuidado com o tipo de propaganda, mas não se pode colocar todos os bancos no mesmo saco. É uma atividade regulamentada pela Anvisa e cabe às agências reguladoras analisar caso a caso,” disse ela. “É dever do Estado prover saúde a todos os brasileiros, mas o Estado não tem a capacidade de prover saúde para todos. Não é justo que quem possa pagar pelo privado utilize o serviço  público”, comentou.

O armazenamento privado é proibido em vários países e condenado pela Comunidade Europeia. Nos Estados Unidos, a prática é permitida. A expansão desse tipo de atividade no Brasil preocupa as entidades médicas, como a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) e a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula que defendem que o uso comercial do cordão umbilical autólogo não tem respaldo científico, clínico ou terapêutico.

Coradi ressaltou que a Anvisa regula a qualidade e a segurança desses produtos e que não é de sua alçada aprovar ou proibir essa atividade comercial. “Nós regulamentamos a atividade, porque ela já existia. A proibição, se for o caso, deve ser feita por lei. O Congresso Nacional e o ministério devem se articular para definir se isso deve ser proibido e como”.

De acordo com o diretor do Centro de Transplantes de Medula Óssea do Inca no Rio e coordenador da Rede Pública de Bancos de Sangue de Cordão, Luis Fernando Bouzas, proibir esses bancos não é a melhor opção e a informação é a melhor forma de conscientizar a população sobre essa atividade.

“Acho que proibir é pior. Em países onde se proibiu, choveram ações judiciais, passaram a congelar em outros países. Acho que o melhor é informar e criar bancos públicos”, comentou.

Fonte  Agência Brasil